Maioridade penal aos 16 anos tem apoio de 80% dos brasileiros, aponta Datafolha

Apoio chega a 89% entre eleitores de Flávio Bolsonaro e a 70% entre os de Lula; candidatos divergem sobre quais crimes seriam abrangidos.

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Silhueta de uma pessoa com os braços erguidos diante de grades de ferro, com camas nas laterais e área iluminada ao fundo.
Pesquisa Datafolha aponta 80% de apoio à redução da maioridade penal para 16 anos.

A redução da maioridade penal de 18 para 16 anos tem o apoio de 80% dos brasileiros entrevistados pelo Datafolha, segundo pesquisa divulgada neste sábado (17). A rejeição à mudança é de 18%, enquanto 2% não souberam responder e 1% disseram ser indiferentes à proposta.

O levantamento revela apoio majoritário à alteração da legislação também entre eleitores dos dois candidatos à Presidência da República. Entre os que declaram voto em Flávio Bolsonaro (PL), 89% são favoráveis. No eleitorado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o percentual é de 70%.

Apoio à redução da maioridade penal para 16 anos
Favoráveis80%
Contrários18%
Não sabem2%
Indiferentes1%

Fonte: Datafolha. Pesquisa presencial realizada em 13 e 14 de outubro de 2026. Percentuais reproduzidos conforme divulgados; os valores apresentados somam 101%.

Redução da maioridade penal tem apoio em ambos os eleitorados

Apesar da diferença de 19 pontos porcentuais entre os grupos, a pesquisa mostra que a proposta encontra apoio expressivo tanto entre eleitores de Flávio Bolsonaro quanto entre os de Lula. Os candidatos, porém, defendem mudanças com alcances diferentes.

Apoio à redução por eleitorado
Eleitores de Flávio Bolsonaro89%
Eleitores de Lula70%

Fonte: Datafolha. Percentuais de apoio à mudança em cada grupo de eleitores, em escala de 0% a 100%.

Na quinta-feira (15), Lula declarou ser favorável à redução da maioridade penal nos casos de crimes hediondos. Flávio Bolsonaro defende a responsabilização penal a partir dos 16 anos para qualquer delito e a redução para 14 anos em crimes como estupro, tráfico de drogas, tortura e assassinato.

A discussão sobre o tema já fazia parte do debate eleitoral sobre segurança pública e ganhou novo impulso com as propostas de alteração da Constituição em análise no Congresso.

Falta de acordo tira maioridade penal da pauta do Senado

A redução da idade penal também passou a integrar as discussões sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública. A matéria estava prevista para análise no plenário do Senado na quinta-feira (15), mas foi retirada da pauta pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), diante da falta de acordo dentro do PT.

Embora exista uma proposta independente em tramitação no Congresso Nacional, parlamentares também apresentaram emendas à PEC da Segurança para incluir a redução da maioridade penal.

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho (PL-RN), apresentou uma emenda que prevê reduzir a idade de responsabilização penal de 18 para 16 anos na maioria dos crimes e permitir sua aplicação a partir dos 14 anos em situações específicas.

Já o senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de reeleição de Lula, apresentou uma proposta mais restrita: reduzir a maioridade penal para 16 anos somente em crimes hediondos e manter o limite de 18 anos para os demais delitos. A iniciativa ocorreu mesmo sem consenso dentro do partido.

Datafolha ouviu 2.520 pessoas em todo o país

O Datafolha realizou 2.520 entrevistas presenciais com pessoas de 16 anos ou mais, em diferentes regiões do Brasil, nos dias 13 e 14 de outubro.

A margem de erro informada é de dois pontos porcentuais para o conjunto da amostra e de três pontos porcentuais nas questões políticas. O nível de confiança da pesquisa é de 95%.

O levantamento foi financiado com recursos próprios do instituto, teve custo de R$ 384,5 mil e está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o protocolo BR-00466/2026.

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