Os Correios decidiram adiar até o próximo dia 31 a implementação de medidas do plano de reestruturação que previam o fechamento de agências e mudanças na remuneração de atendentes. A suspensão ocorreu após pressão de sindicatos e levou a estatal a abrir uma mesa de negociação com representantes dos trabalhadores.
A decisão foi comunicada em carta enviada à Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos e Similares (Fentect) assinada pelo presidente da empresa, Emanoel Rondon, e pelos diretores de Gestão de Pessoas e de Operações.
“Os Correios aceitaram suspender até 31/07 medidas como fechamento de agências, SDDs, roteirização, ampliação do fim do quebra de caixa e do AAG, além da supressão de unidades operacionais em curso. Também será criada uma mesa com participação da FENTECT e do Governo Federal para discutir todos os pontos da chamada ‘reestruturação’”, afirmou a Fentect em nota.
A estatal atravessa uma grave crise financeira e tenta reduzir despesas para voltar ao equilíbrio das contas. Os Correios encerraram 2025 com prejuízo recorde de R$ 8,5 bilhões e já acumulam déficit de R$ 3,1 bilhões apenas no primeiro trimestre de 2026.
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A suspensão das medidas ocorreu após uma reunião realizada na última segunda-feira (6), quando foram discutidos temas como o encerramento de unidades, a implantação de um novo sistema de distribuição e a revisão de gratificações de R$ 500 pagas a atendentes.
Para tentar reverter o cenário de grave crise financeira, a empresa colocou em prática um plano de reestruturação baseado em três frentes:
- Corte de despesas com pessoal e administração;
- Otimização de ativos;
- Renegociação e captação de recursos.
Em nota, os Correios afirmaram que a paralisação das medidas é temporária e tem o objetivo de permitir que as entidades representativas apresentem sugestões e apontem eventuais problemas na aplicação das mudanças. Segundo a empresa, a suspensão das medidas “é temporária e restrita aos temas em discussão, permitindo que as demais iniciativas previstas no Plano de Reestruturação tenham continuidade”.
Entre as ações mantidas estão a venda de imóveis e outras medidas de contenção de despesas. Já os sindicatos recuaram de uma paralisação que estava prevista para a última terça-feira (7) e decidiram manter apenas o estado de greve, que permite a interrupção das atividades caso o acordo não seja cumprido.
“Como demonstração concreta do compromisso dos Correios com o diálogo e com a busca de soluções construídas de forma negociada, propõe-se a suspensão do fechamento de unidades previstas no Plano de Reestruturação dos Correios até 31 de julho de 2026”, diz a carta da estatal.
Durante o período de negociação, a empresa também vai reavaliar o sistema de dimensionamento da distribuição e a retirada de benefícios relacionados ao Adicional de Atendimento em Guichê (AAG) e à Quebra de Caixa. Os casos já implementados serão analisados novamente.
O fechamento de unidades é considerado uma das medidas mais relevantes para a recuperação financeira da estatal. Dos mil centros e agências que a empresa pretendia reduzir, com expectativa de economia de R$ 2,1 bilhões, 256 já tiveram as atividades encerradas.
Baixa adesão ao PDV
A suspensão também afeta o novo Programa de Demissão Voluntária (PDV), que deverá ser direcionado exclusivamente aos funcionários das unidades previstas para fechamento. Cerca de 7 mil trabalhadores estão lotados nesses locais.
A primeira edição do PDV neste ano teve adesão abaixo da expectativa da direção da empresa, com apenas 3.075 empregados e economia de R$ 700 milhões. A meta inicial era de 10 mil desligamentos com um valor esperado de cerca de R$ 1,4 bilhão.
Em meio ao agravamento das contas, a direção dos Correios também busca um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para ajudar na recuperação financeira da estatal. A empresa já havia apresentado seu plano de reestruturação ao governo no ano passado como condição para obter o aval do Tesouro Nacional a uma operação de crédito de R$ 12 bilhões.
A mesa de negociação proposta pelos Correios deverá começar ainda nesta semana e contará com representantes da empresa, das federações de trabalhadores e da Secretaria-Geral da Presidência da República, que atuará como mediadora nas discussões.