A Coreia do Norte adotou um silêncio estratégico no recente conflito entre Irã, EUA e Israel, iniciado em fevereiro. O regime de Kim Jong-un evitou o envio de armas e condolências ao aliado iraniano para tentar reabrir canais de diálogo diplomático com o presidente Donald Trump.
Como a Coreia do Norte reagiu ao início do conflito no Oriente Médio?
Diferente do esperado, o regime de Kim Jong-un manteve uma postura contida. Pyongyang não enviou armas ao Irã, apesar da aliada cooperação histórica, e evitou prestar condolências oficiais pela morte do líder supremo Ali Khamenei no início deste ano. O Ministério das Relações Exteriores emitiu apenas dois comunicados protocolares, criticando a agressão dos EUA e Israel sem citar o nome de Donald Trump, mantendo um silêncio absoluto desde meados de março.
Qual é a estratégia por trás desse silêncio de Kim Jong-un?
Segundo a inteligência da Coreia do Sul, a contenção é uma estratégia deliberada para garantir espaço diplomático com Washington. Kim estaria de olho em uma possível retomada de diálogo com Donald Trump, especialmente após a cúpula prevista para maio entre o líder chinês Xi Jinping e o presidente americano. Analistas acreditam que Kim calculou suas falas e ações para manter abertas as portas para negociações que tragam benefícios ao seu próprio regime.
A Coreia do Norte ainda mantém parceria militar com o Irã?
Sim, embora esteja em silêncio agora, a tecnologia norte-coreana está presente no campo de batalha. Especialistas apontam que o arsenal de mísseis do Irã possui a ‘impressão digital’ de Pyongyang, com mísseis de curto e médio alcance baseados em projetos norte-coreanos. Além de vender tecnologia, a Coreia do Norte ajudou a construir fábricas e treinou forças iranianas ao longo das últimas décadas, mostrando uma cooperação militar profunda e antiga.
De que forma a guerra no Irã afetou a economia norte-coreana?
A guerra pesou no bolso da população. O preço da gasolina subiu 17% e o diesel mais de 20% em março. Isso aconteceu porque a China, principal parceira comercial da Coreia do Norte, reduziu o fornecimento de petróleo para os vizinhos em função da alta dos preços globais e da instabilidade no Irã. O impacto chegou aos alimentos, como o milho, e ao mercado negro de dólares, dificultando a vida da população de baixa renda e afetando as cadeias de suprimentos industriais.
O que Pyongyang aprendeu com o desenrolar da guerra no Oriente Médio?
O regime usou o conflito como laboratório. A morte do líder iraniano reforçou para Kim Jong-un a ideia de que seu arsenal nuclear é vital para a sobrevivência do regime. Como resposta, a Coreia do Norte intensificou testes com mísseis balísticos intercontinentais e mísseis com ogivas de fragmentação. Além disso, desenvolveu armas para desativar redes elétricas, aplicando lições operacionais que observou tanto na guerra da Ucrânia quanto nos ataques recentes no Irã.