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condenados por tráfico conseguem reverter sentença

Um mutirão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) reverteu as sentenças de 3.676 condenados por tráfico de drogas com base na recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que descriminalizou o porte de até 40 gramas de maconha.

Em junho de 2024, a Corte considerou como usuárias as pessoas pegas com essa quantidade de drogas e, portanto, não suscetíveis a penas. A decisão também alcança quem tenha até seis pés de maconha.

Assim, mesmo que alguém tenha até 40 gramas de drogas para vender e o faça com frequência, não será considerado traficante, desde que não haja evidências adicionais de tráfico, como balanças ou registros de vendas.

Mutirão analisa 86 mil processos: tráfico e outros crimes

O mutirão analisou 86 mil processos, segundo o CNJ, que organiza o mutirão em parceria com os Estados. “Isso promoveu mudanças significativas no sistema prisional”, destacou o CNJ. A ordem para o mutirão partiu do STF ao descriminalizar o porte de maconha.

Balanço do mutirão penal do Conselho Nacional de Justiça | Foto: Reprodução/CNJ
Balanço do mutirão penal do Conselho Nacional de Justiça | Foto: Reprodução/CNJ

Além das reversões já concretizadas, outras 7,4 mil situações aguardam manifestação do Ministério Público e das defesas, e 2,2 mil processos dependem de decisão judicial. Em contrapartida, as condenações de 16.326 pessoas foram mantidas, informou o CNJ.

Dos 86 mil processos analisados no mutirão, houve alterações ou correção de dados em 44,6 mil casos, e mais de 9 mil presos obtiveram liberdade, com ou sem restrições, ou tiveram suas penas reavaliadas.

O trabalho também abordou prisões preventivas de gestantes e mães de crianças de até 12 anos, em atendimento à decisão do STF de 2018 que prevê prisão domiciliar para esse público.

No tema das mães e gestantes, foram avaliados 7 mil casos. A prisão domiciliar substituiu a preventiva em 2,2 mil situações, representando um terço do total. Em 21% das análises, houve apenas atualização cadastral, pois as mulheres já estavam soltas. O restante, 45,1%, manteve a prisão preventiva, principalmente por crimes cometidos com violência ou grave ameaça (44,1%), situações excepcionais (31,4%), crimes contra descendentes (5,4%) e destituição do poder familiar (2%).

O mutirão também revisou 16,4 mil prisões preventivas com mais de um ano de duração. Em 3,1 mil casos (19% do total), as prisões foram substituídas por medidas cautelares, como monitoramento eletrônico ou prisão domiciliar.

O esforço começou em maio com a seleção dos temas e processos pelo CNJ. Entre 30 de junho e 30 de julho, magistrados de todo o Brasil analisaram os casos, aplicando critérios individualizados para cada situação.

Via Revista Oeste

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