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Com voto de irmão de Dino, Conselho do MPF barra investigação contra Gonet

Nicolao Dino também votou pela permanência de Gonet nos processos do Banco Master | Foto: | Foto: Divulgação/YouTube/MPF

O presidente da sessão do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF) que julgou a atuação de Paulo Gonet no caso Banco Master, Nicolao Dino, deu o voto decisivo para barrar a abertura de uma investigação criminal contra o procurador-geral da República. Com a manifestação do subprocurador-geral, o colegiado formou placar de 5 a 4 pelo arquivamento da apuração. Nicolao é irmão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino.

Ao analisar os elementos relacionados à presença de Gonet em um encontro com Daniel Vorcaro em Londres, em abril de 2024, Dino afirmou que não seria possível exigir que o procurador-geral previsse que o banqueiro viria a ser alvo de uma investigação criminal dois anos depois.

“Era exigível de qualquer um de nós, inclusive do procurador-geral da República, realizar um juízo de premonição em abril de 2024 para antever que, daqui a dois anos, aquele cidadão que está na foto seria um elemento central de uma grande cadeia de fatos criminosos?”, contestou. “Isso é inviável, isso é inadmissível. É um exercício de premonição que, evidentemente, é impossível de ser feito.”

Gonet
Paulo Gonet foi reconduzido ao cargo de PGR até 2027 depois de sabatina no Senado| Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

Nicolao ainda afirmou que não identificou, na atuação posterior de Gonet, ações destinadas à favorecer Vorcaro ou dificultar as investigações:

“Todos os atos que têm sido praticados pelo procurador-geral não indicam, na leitura que faço, nada que permita extrair uma possível prática, um possível comportamento que leve à satisfação de interesse ou sentimento pessoal dele ou de outra pessoa”.

O presidente da sessão também analisou a manifestação de Gonet na PET 16.662, na qual o PGR pediu a nulidade do relatório policial que continha referências a ele próprio. Nicolao rejeitou a tese de que a medida tivesse como objetivo invalidar as provas reunidas pela PF.

“Em momento algum está dito que o procurador-geral disse que a prova é nula”, afirmou. “O conjunto de provas está lá, os elementos estão lá nos autos. Não consigo extrair dessa manifestação algo que tenha conteúdo, um indício, algum resquício de tipicidade penal.”

Francisco Sanseverino
Francisco Sanseverino, relator do procedimento, votou contra o afastamento de Gonet e pelo arquivamento da apuração | Foto: Divulgação/YouTube/MPF

Com o voto, Nicolao desempatou o julgamento ao seguir o entendimento do relator do caso, Francisco Sanseverino. A tese também foi acompanhada por Celso de Albuquerque Silva, Alexandre Camanho de Assis e Hindenburgo Chateaubriand Pereira Diniz Filho

Janice Ascari, Samantha Dobrowolski, José Adônis Callou de Araújo Sá e Ana Borges Coelho Santos ficaram vencidos e defenderam o prosseguimento da apuração sobre a relação de Gonet e Vorcaro.

Manutenção de Gonet no caso Master

Presidente da sessão, Nicolao Dino também acompanhou os demais conselheiros e votou contra o afastamento de Gonet dos processos relacionados ao Banco Master. Com seu voto, o Conselho foi unânime nesse ponto.

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O empresário Daniel Vorcaro e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, durante confraternização com charutos e uísque em Londres, em abril de 2024 | Foto: Reprodução

O conselheiro sustentou que o CSMPF não possui previsão legal nem competência para afastar o procurador-geral, seja do exercício de suas funções, seja especificamente dos procedimentos envolvendo o Master.

“Não há previsão legal”, declarou Nicolao. “Este Conselho não tem competência para determinar afastamento do procurador-geral do exercício de suas funções ou mesmo do exercício de suas funções especificamente neste caso concreto.”

Segundo Nicolao, caso o Conselho decida designar outro subprocurador-geral para investigar a conduta de Gonet, caberia a esse membro eventualmente pedir uma medida de afastamento ao órgão competente.

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