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Colômbia encerra exploração de petróleo e carvão na Amazônia

Uma iniciativa apresentada pela Colômbia na COP30 trouxe um novo mal-estar entre os países amazônicos. Enquanto o Brasil segue com planos de exploração offshore na Foz do Amazonas e mantém projetos de gás em terra, a gestão de Gustavo Petro tenta empurrar o bloco para um corte brusco nos combustíveis fósseis extraídos do bioma. Ele já havia tentado o movimento em 2023, durante a Cúpula da Amazônia, também em Belém.

O anúncio oficial ocorreu na reunião ministerial da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica, quando a Colômbia se proclamou o primeiro país a suspender atividades petrolíferas, gasíferas e minerárias em larga escala dentro da floresta. O gesto, apresentado como marco simbólico para a “ação climática”, desconsidera a dependência econômica que vários vizinhos têm desses recursos, sobretudo a Bolívia, grande exportadora do gás amazônico.

Impacto econômico de plano da Colômbia

A decisão não é simples nem para a própria Colômbia. O setor de mineração e energia responde por 7% do PIB, 56% das exportações, 33% do investimento externo e sustenta mais de 500 mil empregos formais. Estudos recentes da Universidad de los Andes, em parceria com a consultoria WTW, alertam que uma transição mal calibrada pode provocar perda de até 27% do PIB até 2050. Infraestruturas recentes, como a rede elétrica insuficiente para suportar novos projetos renováveis, aumentam o risco de instabilidade.

Mesmo assim, Petro voltou a criticar outros chefes de Estado durante a COP30 ao dizer que interesses ligados a petróleo e gás travam o combate à crise climática. O presidente tenta transformar o país em vitrine global de transição energética, embora a maior parte das reservas colombianas fique fora da Amazônia, na região de Orinoquia — o que reduz o peso econômico imediato da medida.

O contraste entre discurso e realidade se acentua no momento em que o país ainda enfrenta obstáculos internos, como gargalos na infraestrutura e dependência das receitas minerais. Especialistas avaliam que a guinada pode fragilizar o crescimento e pressionar as contas públicas, caso a transição ocorra sem planejamento robusto.

Enquanto isso, outros países amazônicos seguem trajetória distinta e não demonstram interesse em adotar o modelo colombiano, que amplia tensões políticas dentro do bloco e expõe incertezas sobre o futuro da integração regional na área ambiental.

Via Revista Oeste

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