Uma das perguntas que mais escuto no consultório é: existe idade certa para fazer uma cirurgia facial? A resposta é não. Não são os 40, 50 ou 60 anos que determinam, isoladamente, o momento de um lifting facial.
A indicação depende das alterações anatômicas, do grau de flacidez, da qualidade da pele, das condições de saúde, das características individuais e, principalmente, de uma avaliação médica.
O que realmente define o melhor momento para operar
Cada rosto envelhece de maneira diferente. Genética, exposição solar, oscilações de peso, hábitos de vida e a própria anatomia interferem nesse processo.
Algumas pessoas apresentam perda da definição do contorno facial e flacidez mais cedo, enquanto outras chegam a idades mais avançadas com mudanças discretas. Por isso, acredito que precisamos abandonar a ideia de que cirurgia de rejuvenescimento facial é algo reservado exclusivamente para depois dos 50 ou 60 anos.
Não existe uma resposta baseada apenas na idade. O melhor momento é aquele em que existem alterações que justificam uma intervenção, condições clínicas adequadas e uma expectativa compatível com aquilo que a cirurgia pode entregar.
Também existe um problema em esperar demais simplesmente porque alguém acredita que ainda é jovem para operar.
Quando a flacidez e outras mudanças estruturais já estão instaladas, procedimentos não cirúrgicos nem sempre conseguem entregar aquilo que o paciente procura. Em determinadas situações, tentar compensar alterações estruturais apenas acrescentando volume pode, inclusive, modificar as proporções originais da face.
Cirurgia facial moderna: naturalidade e preservação da identidade
A cirurgia facial moderna não deveria transformar uma pessoa em outra. O objetivo é reposicionar estruturas que sofreram alterações ao longo do tempo, preservando a identidade e as características individuais.
No Deep Plane Facelift, por exemplo, trabalhamos em planos profundos, reposicionando tecidos, músculos e compartimentos de gordura. Buscamos restaurar a anatomia e obter um rejuvenescimento natural, sem depender daquele aspecto excessivamente esticado que, durante muitos anos, alimentou o medo da cirurgia facial.
Isso ajuda a entender por que fazer a cirurgia antes de um grau muito avançado de envelhecimento pode ser adequado para alguns pacientes. Não significa que todas as pessoas deveriam operar aos 40 anos. Significa apenas que a idade cronológica não deve ser utilizada sozinha para decidir quando fazer um lifting facial.
Outro ponto importante é que a cirurgia facial não significa necessariamente facelift. Pessoas mais jovens podem, por características genéticas, apresentar excesso de pele nas pálpebras e ter indicação de blefaroplastia. Em outros pacientes, a necessidade pode estar relacionada à queda das sobrancelhas, ao pescoço, à perda de volume ou às mudanças nos lábios.
Além da blefaroplastia, browlift, Deep Necklift, lip lift e enxerto de gordura podem ser utilizados isoladamente ou associados, de acordo com a anatomia e a necessidade de cada rosto.
Quanto tempo leva a recuperação de uma cirurgia facial?
Essa é outra dúvida frequente. A recuperação depende do tipo e da extensão da cirurgia e da resposta individual de cada organismo. Edema, equimoses e alterações temporárias de sensibilidade podem ocorrer no pós-operatório, e o resultado não deve ser avaliado nos primeiros dias. Os tecidos precisam de tempo para desinchar, cicatrizar e se acomodar.
O paciente também participa diretamente desse processo. Respeitar o período de repouso recomendado, comparecer às consultas de acompanhamento, seguir os cuidados com as cicatrizes, evitar exposição solar e não antecipar exercícios ou outras atividades são atitudes importantes para uma recuperação segura e para que a evolução ocorra conforme o planejamento médico.
Como prolongar o resultado da cirurgia facial?
Nenhuma cirurgia interrompe o envelhecimento. O tempo continuará passando, inclusive depois de um excelente resultado. A diferença é que o paciente passa a envelhecer a partir de estruturas reposicionadas.
Cuidados como proteção solar, alimentação equilibrada, estabilidade do peso, atividade física, sono adequado, ausência de tabagismo e acompanhamento médico ajudam a cuidar da pele e da saúde ao longo dos anos.
Para mim, portanto, a pergunta mais importante não é “quantos anos preciso ter para fazer cirurgia facial?”, mas “o que a minha face precisa neste momento?”. Há pessoas que ainda não têm indicação e devem esperar. Outras podem se beneficiar de procedimentos menos extensos. E existem aquelas para quem a cirurgia já representa uma alternativa coerente.
Não acredito em idade padrão para rejuvenescer, assim como não acredito em rostos padronizados. Esperar apenas por causa da idade pode não fazer sentido. Operar antes de existir indicação também não. O momento certo é aquele em que necessidade, segurança, expectativa e benefício para cada paciente se encontram.
*Danielle Gondim é cirurgiã plástica, membro das associações americana e brasileira de Cirurgia Plástica.
(Este texto foi produzido em uma parceria exclusiva entre VEJA SAÚDE e Brazil Health)