China impõe sanções a ministros do Paraguai e de Belize por apoio a Taiwan

Pequim congela bens e proíbe transações com autoridades dos dois países, que mantêm relações diplomáticas com Taiwan.

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Presidente da China, Xi Jinping, durante chegada a Londres para visita oficial em 2015.
Presidente chinês Xi Jinping durante visita oficial ao Reino Unido, em outubro de 2015. Foto de arquivo. | Foto: Foreign, Commonwealth & Development Office/Flickr (CC BY 2.0)

A China anunciou nesta segunda-feira, 12, sanções contra dois ministros de países que mantêm relações diplomáticas com Taiwan. As medidas atingem Gustavo Villate, ministro das Comunicações do Paraguai, e Francis Fonseca, ministro das Relações Exteriores de Belize, depois de ambos manifestarem apoio à ilha, cuja soberania é contestada por Pequim.

As punições incluem o congelamento de bens pertencentes aos dois ministros em território chinês, a proibição de emissão de vistos para Hong Kong e Macau e restrições a transações comerciais. Empresas, organizações e cidadãos chineses também ficam impedidos de realizar negócios ou manter relações de cooperação com os políticos.

China acusa autoridades de incentivar separatismo em Taiwan

O Ministério das Relações Exteriores da China justificou as sanções como uma medida de proteção à soberania nacional e de combate ao que o governo chinês classifica como “atividades separatistas de Taiwan”.

Pequim também acusou determinados políticos estrangeiros de incentivar relações com a ilha por interesse próprio, em prejuízo dos interesses chineses.

Paraguai e Belize estão entre os 12 países que reconhecem Taiwan como Estado soberano. O Paraguai mantém relações diplomáticas com a ilha desde 1957, enquanto Belize estabeleceu esses vínculos em 1989.

O Brasil, por sua vez, mantém relações extraoficiais com Taiwan por meio do Escritório Comercial do Brasil em Taipei, sem reconhecimento diplomático formal.

Sanções ocorrem após discurso do presidente de Taiwan

As medidas foram anunciadas dois dias depois de o presidente taiwanês, William Lai Ching-te, discursar durante as comemorações do Dia Nacional de Taiwan, em 10 de outubro.

Na ocasião, Lai afirmou que o território “valoriza a paz” e reafirmou a disposição de preservar sua autonomia diante das pressões de Pequim.

“não vai desistir de sua liberdade”, declarou o presidente taiwanês.

O Escritório Chinês de Assuntos Relacionados a Taiwan condenou o pronunciamento e acusou Lai de distorcer os fatos e enganar a população.

O governo chinês considera Taiwan parte de seu território e defende a reunificação. Em janeiro, o presidente Xi Jinping afirmou que esse processo seria “inevitável”. Taiwan, por sua vez, sustenta sua independência.

Ministro do Paraguai reafirmou apoio à ilha nas redes sociais

Antes do anúncio das sanções, Gustavo Villate publicou uma mensagem no X, em 10 de outubro, para celebrar o Dia Nacional de Taiwan e reafirmar os laços entre os dois países.

Na manifestação, o ministro destacou a amizade e a cooperação entre Paraguai e Taiwan, citando princípios compartilhados, como a autodeterminação dos povos, a defesa dos direitos humanos e a democracia.

Em Belize, a embaixada do país em Taiwan também celebrou nas redes sociais os 37 anos de relações diplomáticas entre os dois governos.

Em setembro, o ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Lin Chia-lung, visitou Belize. Durante a viagem, representantes dos dois países acertaram o aprofundamento de suas relações bilaterais.

As sanções chinesas têm alcance principalmente simbólico, já que autoridades de países que reconhecem diplomaticamente Taiwan raramente viajam à China. Ainda assim, as restrições formalizam a resposta de Pequim às manifestações de apoio à ilha.

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