A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta segunda-feira, 21, o registro do medicamento Etcamah (camizestranto), indicado para o tratamento de pacientes adultos com câncer de mama localmente avançado ou metastático, isto é, que se espalhou para outras partes do corpo.
O remédio havia sido aprovado pela FDA, agência reguladora dos Estados Unidos, no início deste mês, por meio da concessão de uma aprovação acelerada, mecanismo que permite análise mais rápida para fármacos contra doenças graves.
Para quem é indicado
O medicamento é recomendado para pessoas com um tipo de câncer de mama que cresce estimulado pelo hormônio estrogênio, chamado de receptor hormonal positivo, e que não apresenta uma determinada proteína chamada HER2.
Em parte dos casos da doença, uma alteração genética faz o tumor produzir essa proteína em quantidade exagerada, o que estimula seu crescimento. Para essas pacientes, existem terapias direcionadas ao combate à HER2.
Já quando o teste é negativo para proteína e o tumor é sensível ao estrogênio, o tratamento costuma começar com (que bloqueia a ação do hormônio sobre as células tumorais).
No caso do Etcamah, há ainda outro requisito: a paciente precisa ter desenvolvido uma alteração no gene ESR1 durante o tratamento inicial.
Essa mudança pode fazer com que o tumor usados no começo do tratamento.
Durante o estudo Serena-6, que envolveu 315 pacientes com a mutação no ESR1, aquelas que trocaram o tratamento que faziam pelo camizestranto permaneceram, em média, 16 meses sem progressão da doença, contra 9,2 meses entre as que continuaram com o tratamento hormonal anterior.
Além disso, o risco de progressão do câncer ou morte foi 56% menor entre as pacientes que receberam camizestranto.
Como a medicação age
De uso oral, o Etcamah bloqueia a ação do estrogênio nas células do tumor.
Assim, ele impede que o hormônio ative o receptor de estrogênio, uma estrutura que ajuda a enviar os sinais para o crescimento do câncer, e também provoca a destruição desse receptor dentro da célula.
O medicamento pode ser utilizado depois de pelo menos seis meses de tratamento com hormonioterapia combinada a medicamentos que ajudam a controlar a multiplicação das células do tumor.
Câncer de mama
O câncer de mama é a neoplasia maligna mais incidente em mulheres.
No Brasil, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), no período de 2023 a 2025, foram registrados 73.610 casos da doença, o que representa 30,1% dos cânceres em pessoas do sexo feminino.
Apesar disso, a maioria dos casos, quando tratados adequadamente e em tempo oportuno, apresentam bom prognóstico.
O tratamento do câncer de mama varia conforme o tipo e o estágio da doença e as características de cada paciente, podendo envolver cirurgia, radioterapia, quimioterapia e hormonioterapia, isoladamente ou em combinação.