No Brasil, o nome absinto costuma remeter à bebida de altíssimo teor alcoólico que já chegou a ser proibida em diferentes partes do mundo. Por isso, talvez seja estranho ouvir falar em chá de absinto. Mas é bem mais provável que o conheça pelo seu outro nome popular: chá de losna.
Tanto absinto quanto losna remetem à mesma planta, conhecida cientificamente como Artemisia absinthium, que também tem outros nomes regionais como sintro, santa-margarida e erva-do-fel. Usada para a famosa bebida alcoólica (quando se emprega a planta macerada), essa espécie também pode ser consumida em uma infusão aquosa que rende o chá, feito a partir de suas folhas e flores secas.
O chá de absinto é uma tradicional receita caseira contra problemas digestivos, em particular a indigestão e a azia. Ele também é usado na medicina popular como um estimulante de apetite, quando a pessoa está com o estômago “embrulhado”. Mas será que essa fama se justifica?
Veja o que realmente se sabe sobre o chá de absinto (ou losna!) e que cuidados seu uso exige.
O chá de absinto traz benefícios à saúde?
Apesar de ter um uso tradicional conhecido ao redor do mundo, esse chá tem clínicos randomizados em seres humanos que buscam confirmar seus famosos benefícios. Isso significa que, aos olhos da ciência, não dá para dizer que a infusão faz tudo o que promete.
Estudos in vitro e em animais indicam efeitos anti-inflamatórios, hepatoprotetores e antipiréticos obtidos a partir de extratos da Artemisia absinthium. Trata-se, contudo, de uma evidência preliminar, a ser confirmada com estudos mais robustos.
Mas outros usos históricos têm bem menos evidências: por exemplo, o chá também era empregado por supostamente atuar como vermífugo, um legado tão presente que aparece até no nome da planta em inglês (“wormwood”). No entanto, não há provas de que ele realmente consiga combater os parasitas no corpo humano, e ele não deve substiuir um tratamento com antiparasitários indicados pelo médico.
Trabalhos pequenos e antigos em seres humanos também tentaram demonstrar a possibilidade de uso da losna no alívio dos sintomas da doença de Crohn. Os resultados foram animadores no sentido de reduzir a dependência de corticoides, mas não há trabalhos mais robustos confirmando os benefícios.
Além disso, o que foi testado nesse caso foi o absinto em pó, mais concentrado do que a versão utilizada em chás.
Cuidados com o consumo
O chá de absinto deve ser sempre utilizado por tempo limitado, e não de forma rotineira. Em geral, o indicado é que seu uso não ultrapasse duas semanas contínuas e, caso os sintomas persistam, um médico seja procurado para avaliar o que pode estar causando os problemas digestivos.
Essa infusão também é considerada abortiva e é contraindicada na gestação, pois não há doses seguras definidas pela ciência. Mulheres que estão amamentando, crianças e pessoas com histórico de doenças hepáticas, úlceras estomacais e epilepsia também devem evitar preparações com a Artemisia absinthium.
Historicamente, a bebida alcoólica feita com absinto causava preocupação por uma condição chamada de “absintismo”, que levava a convulsões e alucinações. Um composto presente na planta, a tujona, passou décadas sendo o culpado pelos problemas. Mas estudos feitos posteriormente demonstraram que o perigo, na verdade, eram as altíssimas doses de álcool da bebida.
Ainda assim, a tujona exige cuidados: em grandes quantidades, ela tem realmente um potencial neurotóxico, e poderia levar aos sintomas descritos. A questão é que é muito difícil ultrapassar o limiar de perigo apenas consumindo o chá. De todo modo, vale a recomendação de não utilizar a infusão por mais do que duas semanas e não usar chás como tratamento sem orientação médica.