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Celina rebate Durigan e diz que “politizar” crise BRB é erro

A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), criticou nesta sexta-feira (7) as declarações do ministro da Fazenda, Dario Durigan, sobre a negociação para liberar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões destinado a reforçar o caixa do Banco de Brasília (BRB). Segundo a governadora, transformar o impasse em uma disputa política prejudica a solução do problema.

Sem citar diretamente Durigan, Celina afirmou que a discussão deve ser conduzida de forma técnica e afirmou que o governo federal estaria fazendo avaliações políticas sobre o caso.

“Politizar esse tema é um erro. Acho que por parte de qualquer ministro que venha a politizar esse tema é um erro. Nós temos responsabilidade com o BRB”, declarou.

A governadora disse ainda que o Distrito Federal já cumpriu as obrigações previstas no acordo firmado com a União no Supremo Tribunal Federal (STF) e cobrou rapidez para a conclusão das tratativas.

“O prazo é algo importante para nós, no mercado financeiro. Não pode ser quando as pessoas quiserem, na forma que quiserem”, afirmou.

O governo do DF acionou novamente o STF nesta semana e pediu uma nova audiência de conciliação para discutir a liberação dos recursos. O encontro foi marcado pelo ministro Luiz Fux para a próxima semana e deve reunir representantes do governo federal, BRB, Banco Central, Fundo Garantidor de Créditos (FGC), Banco do Brasil e Ministério Público Federal.

Governo federal nega demora

As críticas de Celina ocorreram após Dario Durigan rejeitar a acusação de que a União estaria atrasando o acordo. O ministro afirmou que a responsabilidade pelas pendências seria do próprio governo do Distrito Federal.

“A acusação de inércia gerou profunda insatisfação nas equipes do governo federal que vêm viabilizando o acordo”, afirmou Durigan.

Segundo o ministro, a crise do BRB teve origem em operações realizadas pelo banco com o Banco Master e não em ações da União. Ele também afirmou que a administração federal está contribuindo para uma solução que envolve principalmente o Distrito Federal.

“Não há nenhuma inércia. Inclusive, há contribuição da União com algo que não tem a ver com a União, é todo do DF”, declarou.

DF cobra atuação da União e do FGC

Em documento enviado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal afirmou que, apesar do acordo homologado em maio, ainda não houve definição sobre a operação financeira.

“Decorridos mais de dois meses da celebração do acordo, não há concessão, não há recusa, não há proposta, não há indicação de condições, de cronograma ou dos elementos que o Fundo repute necessários à análise”, informou o governo local.

O empréstimo é considerado essencial para recompor o patrimônio do BRB após operações envolvendo o Banco Master, que deixaram impactos financeiros na instituição.

O banco não divulga seus balanços desde novembro de 2025, em razão das consequências das transações realizadas com o Master.

Banco Master

A crise do BRB teve início após negociações realizadas com o Banco Master entre 2024 e 2025, que movimentaram cerca de R$ 30 bilhões, segundo informações divulgadas pelo próprio banco.

A Polícia Federal deflagrou, em novembro de 2025, a Operação Compliance Zero para investigar suspeitas de fraudes financeiras relacionadas às operações. Em abril deste ano, o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi preso durante uma nova fase da investigação.

Segundo a PF, parte dos créditos adquiridos pelo BRB junto ao Master apresentava problemas de lastro ou dificuldade de recuperação. A instituição estima que cerca de R$ 8,8 bilhões em créditos possam representar perdas.

O governo do DF afirma que conseguiria recuperar aproximadamente R$ 2,2 bilhões por meio de outras medidas e busca o empréstimo de R$ 6,6 bilhões para completar o processo de capitalização.

Plano de recuperação

O BRB apresentou em fevereiro ao Banco Central um plano preventivo de capitalização para enfrentar os impactos das operações com o Master. O prazo de 180 dias para implementação das medidas terminou nesta semana, mas as ações de maior impacto ainda não foram concluídas.

Entre as iniciativas anunciadas pelo banco estão ações judiciais contra ex-gestores, pedidos de bloqueio de bens de envolvidos no caso e uma ampliação do capital social da instituição.

A operação de empréstimo, porém, continua pendente de aprovação. A expectativa é que a audiência convocada pelo ministro Luiz Fux discuta os próximos passos para viabilizar a operação.

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