A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), expressou sua opinião sobre o Judiciário brasileiro em palestra nesta segunda-feira, 8. Ela disse que a Justiça ainda carrega traços de conservadorismo, machismo e sexismo, segundo informou a Folha de S.Paulo. A declaração ocorreu durante a entrega do Prêmio Todas 2 Folha/Alandar, ocasião em que a magistrada foi homenageada por ações voltadas às mulheres.
Durante a cerimônia, Cármen Lúcia citou o fato de que é a única mulher no STF, Corte que já teve as ministras Ellen Gracie e Rosa Weber, ambas aposentadas. Para ela, é “urgente” ampliar a participação feminina em postos de destaque. “É preciso que a gente, cada vez mais, tenha ciência e sensibilidade para saber que nós temos mulheres de notável saber jurídico, com reputação elevada, e que querem, podem e devem contribuir para uma perspectiva verdadeiramente democrática e igualitária no Judiciário e no Supremo Tribunal Federal”, disse a ministra.
Cármen Lúcia fala sobre violência
A ministra também falou sobre os dados recentes de violência contra a mulher. Nos últimos anos, os casos de homicídios de mulheres cresceram em todo o país, mesmo com a promessa eleitoral do governo petista de reduzir esses os índices.
Ela não atribuiu culpa, mas falou em “injustiças” e cobrou uma ação da “sociedade”. “No dia da Justiça, as injustiças contra mulheres no Brasil atingiram patamares que não são só de contrariedade ao direito, são de desumanidade, falta de civilidade, de indignidade”, afirmou. “Nós precisamos tomar algumas atitudes, como sociedade, para que dê um basta nessa matança de mulheres. Não é mais possível que a gente continue assistindo a mulheres sendo assassinadas, violentadas.”