O futuro político de Deltan Dallagnol (Novo) está nas mãos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte tem julgamento marcado para esta quinta-feira (8), a partir das 10h, para decidir sobre o registro de candidatura do ex-procurador da Lava Jato ao Senado pelo Paraná.
Dallagnol recebeu aproximadamente 2,9 milhões de votos nas eleições de domingo (4), conquistando a segunda colocação na disputa, com 25,14% dos votos válidos. Apesar do resultado nas urnas, sua eleição ainda depende de uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral.
O processo envolve questionamentos sobre a saída de Dallagnol do Ministério Público Federal (MPF) e uma possível tentativa de evitar a inelegibilidade. O caso já provocou decisões divergentes entre o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e ministros do TSE.
Ministro derrubou registro na véspera da eleição
Em setembro, o TRE-PR havia autorizado a candidatura de Dallagnol por maioria de votos. Os magistrados entenderam que não ficou caracterizada uma tentativa de deixar o Ministério Público para escapar de uma eventual restrição eleitoral.
A situação mudou na véspera da votação, quando o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo no TSE, decidiu impedir o registro.
Na avaliação do magistrado, o ex-procurador deixou o MPF enquanto respondia a procedimentos disciplinares, circunstância que poderia caracterizar uma tentativa de evitar uma possível inelegibilidade.
A decisão também determinou a anulação dos votos atribuídos à candidatura, colocando em risco a vitória eleitoral de Dallagnol.
Nunes Marques suspendeu decisão e garantiu contagem dos votos
No domingo (4), dia das eleições, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão individual de Floriano de Azevedo Marques.
Com isso, a candidatura voltou à condição de deferida com recurso, permitindo que os votos recebidos pelo ex-procurador fossem contabilizados normalmente.
Nunes Marques esclareceu que sua intervenção não representava uma decisão definitiva sobre a elegibilidade de Dallagnol. Segundo o ministro, caberia ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral analisar o mérito da controvérsia.
A medida permitiu que o resultado das urnas fosse considerado na totalização, mas manteve a situação jurídica do candidato pendente de julgamento.
Julgamento pode definir futuro da eleição no Paraná
O recurso analisado pelo TSE questiona a decisão do TRE-PR que autorizou a candidatura. Além de pedir a rejeição do registro, o processo busca a anulação dos votos recebidos pela chapa majoritária.
Dallagnol se manifestou nas redes sociais em defesa do resultado eleitoral. O ex-procurador afirmou que os votos pertencem aos eleitores paranaenses e defendeu que a vontade expressa nas urnas seja respeitada.
Caso a Justiça Eleitoral confirme a validade da candidatura, Dallagnol e Filipe Barros (PL), os dois candidatos mais votados, poderão ocupar as vagas atualmente pertencentes aos senadores Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB).
O Paraná também é representado no Senado por Sergio Moro (PL), eleito governador do estado em 2026.
O julgamento está previsto na pauta da sessão desta quinta-feira, juntamente com outros processos eleitorais. A decisão será determinante para definir se os 2,9 milhões de votos recebidos por Dallagnol serão mantidos e se o ex-procurador poderá assumir uma cadeira no Senado Federal.
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