Após receber 2,9 milhões de votos, Deltan Dallagnol enfrenta julgamento decisivo no TSE

Eleito senador pelo Paraná com 25,14% dos votos válidos, ex-procurador da Lava Jato depende de decisão da Justiça Eleitoral para assumir o mandato

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Deltan Dallagnol, ex-procurador da Lava Jato, que aguarda julgamento de sua candidatura ao Senado pelo TSE
Deltan Dallagnol aguarda decisão do TSE sobre sua candidatura ao Senado após receber 2,9 milhões de votos | Foto: Wikimedia Commons

O futuro político de Deltan Dallagnol (Novo) está nas mãos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Corte tem julgamento marcado para esta quinta-feira (8), a partir das 10h, para decidir sobre o registro de candidatura do ex-procurador da Lava Jato ao Senado pelo Paraná.

Dallagnol recebeu aproximadamente 2,9 milhões de votos nas eleições de domingo (4), conquistando a segunda colocação na disputa, com 25,14% dos votos válidos. Apesar do resultado nas urnas, sua eleição ainda depende de uma decisão definitiva da Justiça Eleitoral.

O processo envolve questionamentos sobre a saída de Dallagnol do Ministério Público Federal (MPF) e uma possível tentativa de evitar a inelegibilidade. O caso já provocou decisões divergentes entre o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e ministros do TSE.

Ministro derrubou registro na véspera da eleição

Em setembro, o TRE-PR havia autorizado a candidatura de Dallagnol por maioria de votos. Os magistrados entenderam que não ficou caracterizada uma tentativa de deixar o Ministério Público para escapar de uma eventual restrição eleitoral.

A situação mudou na véspera da votação, quando o ministro Floriano de Azevedo Marques, relator do processo no TSE, decidiu impedir o registro.

Na avaliação do magistrado, o ex-procurador deixou o MPF enquanto respondia a procedimentos disciplinares, circunstância que poderia caracterizar uma tentativa de evitar uma possível inelegibilidade.

A decisão também determinou a anulação dos votos atribuídos à candidatura, colocando em risco a vitória eleitoral de Dallagnol.

Nunes Marques suspendeu decisão e garantiu contagem dos votos

No domingo (4), dia das eleições, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, suspendeu os efeitos da decisão individual de Floriano de Azevedo Marques.

Com isso, a candidatura voltou à condição de deferida com recurso, permitindo que os votos recebidos pelo ex-procurador fossem contabilizados normalmente.

Nunes Marques esclareceu que sua intervenção não representava uma decisão definitiva sobre a elegibilidade de Dallagnol. Segundo o ministro, caberia ao plenário do Tribunal Superior Eleitoral analisar o mérito da controvérsia.

A medida permitiu que o resultado das urnas fosse considerado na totalização, mas manteve a situação jurídica do candidato pendente de julgamento.

Julgamento pode definir futuro da eleição no Paraná

O recurso analisado pelo TSE questiona a decisão do TRE-PR que autorizou a candidatura. Além de pedir a rejeição do registro, o processo busca a anulação dos votos recebidos pela chapa majoritária.

Dallagnol se manifestou nas redes sociais em defesa do resultado eleitoral. O ex-procurador afirmou que os votos pertencem aos eleitores paranaenses e defendeu que a vontade expressa nas urnas seja respeitada.

Caso a Justiça Eleitoral confirme a validade da candidatura, Dallagnol e Filipe Barros (PL), os dois candidatos mais votados, poderão ocupar as vagas atualmente pertencentes aos senadores Flávio Arns (PSB) e Oriovisto Guimarães (PSDB).

O Paraná também é representado no Senado por Sergio Moro (PL), eleito governador do estado em 2026.

O julgamento está previsto na pauta da sessão desta quinta-feira, juntamente com outros processos eleitorais. A decisão será determinante para definir se os 2,9 milhões de votos recebidos por Dallagnol serão mantidos e se o ex-procurador poderá assumir uma cadeira no Senado Federal.

 

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