Acionistas do Banco de Brasília (BRB) aprovaram hoje (24) medidas para eventual responsabilização civil de ex-gestores apontados como responsáveis por prejuízos relacionados a operações com o Banco Master e a Reag.
A decisão foi tomada por maioria dos votos em Assembleia Geral Extraordinária (AGE), realizada de forma on-line. O mapa sintético divulgado antes da reunião registrou 7.495 acionistas favoráveis à proposta e uma abstenção.
A autorização permite que o banco avance com medidas judiciais contra ex-administradores que venham a ser identificados como responsáveis pelos danos. A aprovação, porém, não estabelece responsabilidade individual de nenhum ex-gestor.
Segundo o BRB, a deliberação segue o artigo 159 da Lei nº 6.404/1976 e faz parte do procedimento necessário para a continuidade das apurações conduzidas pela Polícia Federal e por outros órgãos de investigação.
“O BRB informa que foi aprovada autorização para ajuizamento de medidas de responsabilização civil contra ex-administradores que venham a ser identificados como responsáveis por prejuízos causados ao Banco em operações relacionadas ao ecossistema Master/REAG. A deliberação dos acionistas ocorreu por maioria de votos durante Assembleia Geral Extraordinária realizada na manhã de hoje (24/8).
A autorização atende Artigo nº 159 da Lei nº 6.404/1976 e não representa definição prévia de responsabilização de pessoas específicas. A deliberação durante a AGE é um rito procedimental essencial para que sejam continuadas as apurações de responsabilidade por parte da Polícia Federal e demais órgãos investigativos.
A medida reforça o compromisso do BRB com a transparência, a governança e a defesa dos interesses dos acionistas, visando ao eventual ressarcimento de danos ao patrimônio da Instituição.
O Banco reitera que todas as deliberações relacionadas aos investimentos de seu portfólio observam critérios técnicos, regulatórios e de proteção ao interesse de seus acionistas e stakeholders, sempre em conformidade com as normas aplicáveis ao mercado de capitais.”
Investigação sobre operações com o Master
A decisão ocorre no contexto da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal em novembro de 2025 para investigar a compra de cerca de R$ 12 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master que seriam supostamente falsas.
Na semana passada, a PF solicitou o adiamento do inquérito para concluir diligências e ouvir ex-diretores do BRB.
Entre os investigados está o ex-presidente do banco, Paulo Henrique Costa, preso desde 16 de abril. Ele é suspeito de receber propina de Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master.
O ex-diretor executivo financeiro e de controladoria do BRB, Dario Oswaldo Garcia Júnior, também foi alvo de busca e apreensão durante a operação. Ele foi afastado da instituição em novembro de 2025.
BRB busca capitalização
O banco também enfrenta dificuldades financeiras e negocia, junto ao Governo do Distrito Federal, acionista majoritário da instituição, um empréstimo para reforçar seu capital e evitar uma eventual quebra.
A operação é discutida no âmbito de uma ação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).
A autorização aprovada nesta segunda-feira permite que o BRB avance na apuração de possíveis responsabilidades e, caso sejam identificados responsáveis pelos prejuízos, busque judicialmente o ressarcimento dos valores.