O ministro da Fazenda, Dario Durigan, entregou ao presidente do Banco Popular da China, Pan Gongsheng, nesta quinta-feira (25), uma carta de intenções com o projeto inédito de lançar títulos da dívida pública em yuan. Na ocasião, ele afirmou que a novidade é também uma sinalização aos Brics para que todos os países trabalhem para tirar o dólar de sua posição privilegiada.
“Foi uma jogada geopolítica para acenar essa parceria bilateral com a China, mas também no interior dos Brics para mostrar uma disposição de caminhar, um esforço de desdolarização”, afirmou, em entrevista à agência Reuters divulgada nesta quinta-feira (25).
A movimentação ocorre em um contexto que cruza a disputa entre Estados Unidos e China pela liderança da economia mundial e a ameaça, vinda do país governado por Donald Trump, de uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros. Trump já chegou a atribuir as alíquotas à tentativa do bloco de “destruir o dólar”.
Mesmo com as tensões, Durigan disse que o Brasil quer captar ao menos US$ 735 bilhões – ou 5 bilhões de yuans – em sua primeira emissão. A disponibilização ao investidor, porém, ainda não tem data para ocorrer, uma vez que o governo brasileiro quer “aguardar o melhor momento do mercado”.
“Captamos 5 bilhões de euros na Europa. Ainda não definimos o valor aqui na China para a primeira emissão, mas também será de até 5 bilhões”, revelou o ministro.
Os chamados títulos panda fazem parte de uma iniciativa dos chineses para internacionalizar o yuan e fazer frente à hegemonia global do dólar. A adesão do Brasil ocorre em uma visita de Durigan ao país asiático para participar do Fórum de Finanças Verdes Brasil-China, em Xangai. O ministro acrescentou o termo “soberania” para se referir à decisão.