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Banco Central: juros podem continuar altos por mais tempo do que o esperado

Banco Central: juros podem continuar altos por mais tempo do que o esperado

O Banco Central sinalizou que os juros no Brasil poderão permanecer elevados por mais tempo do que o mercado esperava, mesmo após a redução da taxa Selic para 14,25% ao ano, na semana passada. Na ata do Comitê de Política Monetária (Copom), divulgada nesta terça-feira (23), a autoridade monetária afirmou que a persistência da inflação acima da meta de 3% exige uma política monetária mais rígida e prolongada.

O documento deixa claro que o corte de 0,25 ponto percentual promovido na última reunião não representa uma mudança significativa na postura do Banco Central. Pelo contrário, o Copom reforçou que o cenário atual exige cautela e afastou qualquer indicação de aceleração no ritmo de redução dos juros ou de encerramento próximo do ciclo de cortes.

“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, destacou o colegiado (veja na íntegra).

Entre os fatores que justificam a manutenção dos juros em patamar elevado está a deterioração das expectativas de inflação, em que as projeções seguem acima da meta em todos os horizontes analisados e apresentaram nova piora nos prazos mais longos, especialmente para 2028, o que aumenta o custo para controlar a alta dos preços ao longo do tempo.

O Copom também chamou atenção para o comportamento da economia brasileira. De acordo com a ata, os indicadores apontam aceleração da atividade econômica no primeiro trimestre, fortalecimento de setores mais sensíveis ao ciclo econômico e um mercado de trabalho ainda resiliente, fatores que podem dificultar o processo de desaceleração da inflação.

“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes aceleraram, distanciando-se adicionalmente da meta para a inflação, superando seu limite superior na última leitura”, registrou o Banco Central.

As projeções oficiais seguem acima do centro da meta de 3%, com uma estimativa de inflação de 5,2% em 2026 e de 3,7% no quarto trimestre de 2027 – período considerado relevante para a condução da política monetária.

Dívida pública interna

A política fiscal voltou a aparecer como preocupação relevante no documento, com dúvidas sobre a sustentabilidade da dívida pública e o enfraquecimento de reformas estruturais. Isso pode elevar a taxa de juros neutra da economia, reduzindo a eficácia da política monetária no combate à inflação.

“O Comitê mantém a firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas. Em particular, o debate do Comitê reforça, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, pontuou no documento.

Embora os efeitos dos juros elevados já sejam percebidos na desaceleração do crédito e na moderação gradual da atividade econômica, o Copom avaliou que esse processo ainda não é suficiente para garantir uma convergência rápida da inflação para a meta estabelecida.

Tensões no exterior

No cenário internacional, o Banco Central avaliou que as incertezas continuam elevadas por conta das tensões geopolíticas, oscilações nos preços de commodities e volatilidade nos mercados financeiros. No entanto, o recente acordo entre Estados Unidos e Irã para encerrar a guerra no Oriente Médio ainda não foi incorporado às análises do comitê.

A ata do Copom também apontou que os riscos para a inflação permanecem em alta, entre eles estão a persistência da desancoragem das expectativas, a resistência da inflação de serviços, possíveis pressões cambiais e estímulos à demanda acima da capacidade de crescimento da economia.

Por outro lado, o Copom reconheceu que existem fatores que podem reduzir as pressões inflacionárias, como uma desaceleração mais forte da atividade econômica no Brasil, uma piora mais intensa do cenário global e uma eventual queda nos preços das commodities.

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