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Saúde

Após perda de dente, enxerto ósseo devolve capacidade de comer e sorrir

A perda de um dente desencadeia um relógio biológico implacável e silencioso. Longe de ser apenas um contratempo estético, o espaço vazio na gengiva marca o início de uma degradação estrutural imediata na face.

Sem a raiz para sustentá-lo, o osso alveolar perde sua função e começa a desaparecer rapidamente. O corpo humano, em sua economia estrita, reabsorve até 30% desse volume ósseo em um curto espaço de seis meses, criando uma janela de tempo crítica onde a intervenção é inegociável.

O impacto dessa reabsorção vai muito além do que se vê; ele atinge diretamente a sobrevivência do paciente. O colapso desta fundação óssea destrói toda a mecânica do sistema estomatognático.

Sem osso para suporte, as próteses perdem a estabilidade, obrigando o indivíduo a forçar a musculatura dos lábios e da língua na tentativa de fixá-las. A ruína da fonação e o isolamento social por vergonha são apenas os primeiros sinais de que algo não vai bem.

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A longo prazo, essa instabilidade provoca a , desviando alimentos para a traqueia. Especialmente na terceira idade, esse escape é o estopim para e severas, que frequentemente resultam em internações hospitalares prolongadas.

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Felizmente, a evolução clínica apagou o antigo estigma de dor e sofrimento associado a esses procedimentos. No passado, a reconstrução exigia a remoção de blocos ósseos de outras partes do corpo do próprio paciente (osso autógeno), dobrando o trauma cirúrgico e o tempo de recuperação.

Hoje, a intervenção é previsível e minimamente invasiva, impulsionada pelo uso de biomateriais de origem animal, como a hidroxiapatita bovina, e compostos totalmente sintéticos.

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O horizonte da especialidade já aponta para a impressão 3D de enxertos sob medida, uma tecnologia de precisão milimétrica que ganha escala por meio de empresas nacionais.

O maior obstáculo atual, contudo, é transpor o abismo da desigualdade. Enquanto a odontologia privada avança rapidamente pela engenharia de tecidos, o Sistema Único de Saúde (SUS) ainda opera majoritariamente focado na resolução da dor, extraindo o dente sem a devida preservação do alvéolo.

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Democratizar a tecnologia de enxertos e a reconstrução funcional é uma urgência. Devolver a estabilidade para mastigar e a segurança para falar não é um luxo estético, mas a base irrenunciável da saúde pública e da dignidade humana.

*Marcelo Abla é cirurgião-dentista e membro da Câmara Técnica de Implantodontia do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CROSP).

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