Anvisa alerta para riscos de suplementos vendidos como tratamento para resistência à insulina

Agência contesta recomendações de berberina, magnésio e mio-inositol divulgadas nas redes sociais e adverte que o uso inadequado desses produtos pode afastar pacientes do acompanhamento médico.

Compartilhe
Frasco com cápsulas de suplementos alimentares ilustrando alerta da Anvisa sobre resistência à insulina.
Suplementos alimentares não devem ser utilizados como tratamento para resistência à insulina, alerta Anvisa | Foto: NutraSeller Manufacturing/Unsplash

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) fez um alerta nesta sexta-feira (9) sobre a divulgação de suplementos alimentares como alternativas para tratar a resistência à insulina. A orientação foi publicada após a circulação de vídeos nas redes sociais que recomendam vitaminas, minerais e outras substâncias para controlar a condição metabólica, sem respaldo científico para essa finalidade.

Entre os produtos mencionados pela agência estão a berberina, o magnésio e o mio-inositol. Segundo a Anvisa, recomendar essas substâncias como tratamento pode induzir consumidores ao erro e, principalmente, levá-los a abandonar ou adiar o acompanhamento médico necessário.

O alerta não significa que esses suplementos sejam proibidos em todas as circunstâncias. O problema está em apresentá-los como soluções terapêuticas para uma condição que exige avaliação individualizada.

O que é resistência à insulina e por que exige acompanhamento?

A resistência à insulina acontece quando as células do organismo passam a responder de maneira menos eficiente à ação desse hormônio, produzido pelo pâncreas e responsável por ajudar a controlar a quantidade de glicose no sangue.

Para compensar essa dificuldade, o organismo pode aumentar a produção de insulina e manter a glicemia dentro dos valores esperados por algum tempo. Entretanto, a persistência da condição pode favorecer alterações metabólicas e aumentar o risco de desenvolvimento de pré-diabetes e diabetes tipo 2.

Por isso, a identificação do problema e a escolha do tratamento devem considerar as características de cada paciente, possíveis doenças associadas e outros fatores de saúde.

Anvisa esclarece diferença entre suplementos e medicamentos

A agência reforça que suplementos alimentares não são medicamentos. Sua finalidade é complementar a alimentação com nutrientes e outras substâncias permitidas pela regulamentação sanitária, e não prevenir, curar ou tratar doenças.

No Brasil, produtos apresentados com finalidade terapêutica precisam cumprir as exigências aplicáveis aos medicamentos, incluindo registro sanitário. Uma substância não pode ser anunciada como tratamento de doenças apenas porque é vendida em cápsulas, fórmulas ou preparações de origem natural.

A orientação oficial da Anvisa destaca que alegações de tratamento feitas em vídeos e anúncios não substituem a comprovação científica nem a avaliação de um profissional de saúde.

Quando uma pessoa com resistência à insulina pode usar suplementos?

Ter resistência à insulina não impede, por si só, que uma pessoa receba indicação de suplementação. A Anvisa explica que esses produtos podem ser utilizados quando um profissional identifica uma necessidade nutricional específica, como a correção de uma deficiência.

Nessa situação, porém, o suplemento é empregado para suprir a necessidade identificada, e não como medicamento destinado a reverter a resistência à insulina.

O tratamento da condição pode incluir mudanças no estilo de vida e, quando houver indicação clínica, o uso de medicamentos. A definição depende de avaliação profissional e não deve ser substituída por recomendações genéricas encontradas na internet.

A Anvisa orienta a população a desconfiar de promessas de controle ou cura por meio de vitaminas, cápsulas e fórmulas divulgadas nas redes sociais. Antes de iniciar qualquer produto com finalidade de tratamento, a recomendação é buscar orientação de um profissional de saúde e verificar a existência de evidências científicas.

Informações sobre a função e o uso adequado desses produtos também estão disponíveis na página oficial de perguntas frequentes sobre suplementos alimentares.

Mais sobre o assunto

Comentários 0

Participe da conversa. Opiniões são bem-vindas quando mantêm respeito e relação com o assunto. Comentários podem passar por moderação antes da publicação.

Deixe seu comentário

Seu comentário deve contribuir com a discussão. Consulte também nossa Política de Privacidade.