Uma acompanhante deu um tapa no rosto de uma enfermeira e ameaçou matar profissionais de saúde no Hospital do Matadouro, na Zona Norte de Teresina, segundo relato do médico Antonio Maycon da Silva Sousa à Polícia Militar. O caso ocorreu na segunda-feira (26), durante o atendimento ao pai da mulher, internado após sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).
O paciente havia apresentado piora clínica, com comprometimento da função renal e necessidade de diálise urgente. A equipe tentava conseguir sua transferência para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e precisava conversar com a filha sobre uma possível intubação, caso o procedimento fosse necessário.
A Fundação Municipal de Saúde (FMS) informou que o homem estava na sala de estabilização, destinada a pacientes em estado grave, onde as normas do hospital não permitem a permanência de acompanhantes. A mulher discordava da restrição, circunstância que, segundo a fundação, também esteve relacionada ao conflito.
Antonio Maycon descreveu como a situação se agravou:
“Ela chegou muito agressiva, bateu a porta, arrebentando a porta da sala de estabilização. Começou a agredir verbalmente a enfermeira, ameaçar a enfermeira de morte e começou a bater também no balcão. Nessa de bater no balcão, ela dá um tapa na cara da enfermeira também”, relatou.
O médico afirmou que tentou conversar com a mulher na sala da assistência social, mas também foi ameaçado de morte. Temendo pela segurança da equipe, acionou a Polícia Militar. Quando os policiais chegaram, a acompanhante já havia deixado o hospital.
Após o episódio, Antonio Maycon afirmou que recebeu o suporte necessário da direção da unidade.
Médico relata medo de morrer durante o trabalho
Antonio Maycon afirmou que xingamentos, acusações e hostilidade de pacientes e acompanhantes fazem parte da rotina de atendimento. Em menos de uma semana, publicou nas redes sociais relatos de dois episódios de violência.
O médico explicou que exames e transferências dependem, muitas vezes, de outros serviços da rede pública, mas a demora acaba sendo atribuída aos profissionais que atendem diretamente os pacientes e seus familiares.
“Eu não quero trabalhar pensando que, a qualquer momento, alguém vai chegar aqui e me matar, matar minha equipe. Ninguém sabe do que uma pessoa é capaz. São tantos casos que você tem o desejo de deixar a profissão”, desabafou.
FMS anuncia providências após agressões e ameaças
A Fundação Municipal de Saúde lamentou o episódio, manifestou solidariedade ao médico e à enfermeira e repudiou agressões, ameaças e intimidações contra os profissionais.
Em nota, a instituição reconheceu a angústia dos familiares diante de situações graves de saúde, mas ressaltou que esse sofrimento não justifica a violência. Também destacou que médicos e enfermeiros não podem ser responsabilizados individualmente pelas dificuldades da rede pública.
O Conselho Regional de Medicina do Piauí (CRM-PI), procurado sobre o caso, informou que ainda não havia tomado conhecimento da ocorrência.
A FMS confirmou que um boletim de ocorrência foi registrado e informou que está adotando as providências necessárias para apurar os fatos e encaminhar o caso às instâncias competentes.
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