De acordo com uma pesquisa nacional, 78% e 61% das brasileiras não fizeram o teste de DNA-HPV e o papanicolau, respectivamente, no último ano. Os exames rastreiam o risco e a presença de lesões e tumores causados pelo papilomavírus humano (HPV), principal agente por trás de cânceres de colo do útero, vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe.
Ambos os testes são indicados para todas as mulheres de 25 a 64 anos que já tiveram relação sexual e estão disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS).
Ainda assim, a desinformação tem dificultado a prevenção de doenças provocadas pelo HPV. Um terço das entrevistadas pelo levantamento (34%) acredita, por exemplo, que não faz parte do grupo de risco do câncer de colo de útero.
O problema é que qualquer mulher que já tenha tido alguma relação sexual pode ter contraído o vírus — portanto, não é correto pensar que exista um grupo de risco delimitado que possa desenvolver a doença.
“E é por isso que a prevenção deve ser voltada a toda a população e incluir, além de , a vacinação contra o HPV para homens e mulheres dos 9 aos 45 anos”, afirma a oncologista Andrea Gadelha, presidente do Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), que realizou a pesquisa em parceria com o Instituto Locomotiva.
Para o levantamento, foram ouvidas 800 mulheres de todas as classes sociais e regiões do país, com 18 a 45 anos de idade.
Prevenção como prioridade
O principal objetivo do inquérito foi identificar o que as brasileiras entendem por prevenção de cânceres causados pelo HPV. Entre os principais resultados, observou-se que, hoje, sobre exames e vacinação, mas mais por causa disso.
“Hoje, nossa maior dificuldade é transformar conhecimento em ação, mudar comportamentos e padrões para que a prevenção do HPV seja uma prioridade nos cuidados com a saúde da mulher”, destaca.
Na pesquisa, 39% dizem não ter ou não se lembram de ter se imunizado contra o HPV. O principal motivo relatado é a falta de conhecimento sobre o fato de que, além de crianças e adolescentes de 9 a 14 anos — para os quais a vacina está disponível na rede pública de saúde — jovens e adultos até os 45 também podem se vacinar.
Pelo SUS, porém, apenas alguns grupos tem acesso, como adolescentes de 15 a 19 anos que não foram vacinados anteriormente, pessoas imunossuprimidas, vítimas de abuso sexual, usuários de PrEP e mulheres com lesões do HPV tratadas.
Já rede privada, qualquer pessoa de 9 a 45 anos pode tomar a vacina — cada dose sai por, em média, R$ 800, e adultos precisam de três.
Setembro em Flor
A pesquisa é uma das ações da campanha de conscientização sobre cânceres ginecológicos Setembro em Flor, organizada pelo Grupo EVA.
Nesta quarta-feira (9), será realizado o Fórum Câncer Ginecológico em Debate: Construindo uma Agenda Nacional para a Saúde da Mulher, com a presença de parlamentares e médicos para discutir prevenção, diagnóstico e tratamento dessas doenças. Ao longo do mês, palestras e mutirões de vacinação serão realizados em várias cidades do país.
A campanha é apoiada pela MSD, farmacêutica que produz a vacina nonavalente contra o HPV.