O senador Carlos Viana (PSD-MG) afirmou hoje (27) que avançou na coleta de assinaturas para criar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o Lulinha, filho do presidente Lula. Segundo o parlamentar, deputados e senadores de diferentes partidos já aderiram ao requerimento, mas o número de assinaturas ainda não foi divulgado.
Viana disse ter obtido apoio de parlamentares de PL, MDB, Novo, PP, União Brasil, PSD, Podemos e PSDB na Câmara. No Senado, segundo ele, as adesões são de PL, PSD, PP, PSDB e Republicanos.
Nas redes sociais, o senador também pediu que apoiadores pressionem parlamentares pela assinatura do requerimento.
“Estamos avançando e cada vez mais perto do número necessário para instalar a CPMI”, escreveu nas redes sociais.
Viana afirmou que divulgará na segunda-feira (31), durante entrevista coletiva, os nomes dos parlamentares que assinaram o pedido.
Caso consiga o número necessário, o senador pretende cobrar do presidente do Senado e do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), o andamento do pedido.
Número de assinaturas
A instalação de uma CPMI exige apoio de pelo menos um terço dos integrantes de cada Casa. São necessárias 171 assinaturas de deputados e 27 de senadores. O requerimento também precisa indicar fato determinado e prazo de funcionamento.
Se a investigação for exclusiva do Senado, uma CPI pode ser criada com o apoio de 27 senadores.
Investigações sobre Lulinha
A articulação de Viana começou na semana passada, após novos desdobramentos das investigações envolvendo Lulinha. O senador presidiu a CPMI do INSS, encerrada em março, que terminou sem a aprovação de um relatório final.
Na votação, os integrantes rejeitaram por 19 votos a 12 o parecer do relator Alfredo Gaspar (PL-AL). O documento propunha o indiciamento de mais de 200 pessoas, entre elas Lulinha. Gaspar é candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL).
Atualmente, Lulinha é investigado pela Polícia Federal em inquéritos que apuram suspeitas de tráfico de influência. Parte das apurações envolve a empresária Roberta Luchsinger e tratativas para negócios com órgãos do governo federal.
A PF apura se Lulinha teria utilizado sua proximidade com o presidente Lula para favorecer interesses privados. A defesa nega irregularidades.
Um dos casos investigados envolve negociações para a venda de produtos à base de canabidiol ao Ministério da Saúde. A pasta afirma que nenhum contrato foi firmado e que não houve pagamento à empresa envolvida.
A Procuradoria-Geral da República pediu que os inquéritos, atualmente sob relatoria do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, sejam enviados à primeira instância. A PGR não identificou investigados com foro privilegiado. Mendonça ainda não decidiu sobre o pedido.