Com base em dados de 2024, o governo federal prevê que aproximadamente 23,1%, mais de um quinto das exportações do Brasil aos Estados Unidos serão afetadas pelas duas sobretaxas anunciadas pelo governo de Donald Trump. As informações são de uma nota do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços divulgada na tarde desta sexta-feira (24).
Outras operações que representam 24,2% do total já estão sujeitas à seção 232 e, com isso, já recebem a taxação de 12,5%. Com isso, 52,7% das operações ficarão de fora do novo tarifaço, sujeitas apenas às alíquotas já praticadas normalmente.
Após a tarifa de 25% decidida por uma investigação do Escritório do Representante Comercial (USTR), os Estados Unidos decidiram aplicar mais uma alíquota, de 12,5%, justificada pela existência de trabalho forçado no Brasil.
De acordo com a pasta, a nova tarifa atingirá 4,7% das exportações, afetando os setores de pescados, tabaco, óleos essenciais, arroz, madeira, mel, celulose e o etanol. Já a tarifa de 25% incidirá sobre uma fatia menor, de 1,9% das exportações, atingindo sobretudo o açúcar.
Há, porém, um percentual maior: 16,5% das exportações sofrerão ambas as tarifas, que somam 37,5%. Aqui, incluem-se máquinas e equipamentos, gorduras, óleos, calçados, móveis e confecções.
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Em valores de 2024, a proporção analisada contém:
- Fora do tarifaço: US$ 21,3 bilhões;
- Produtos já sujeitos a tarifas especiais: US$ 9,8 bilhões;
- Duas tarifas (37,5%): US$ 6,6 bilhões;
- Tarifa de 12,5%: US$ 1,9 bilhão;
- Tarifa de 25%: US$ 800 milhões;
As consequências serão menores em relação ao tarifaço de 50% executado em 2025. Na época, 35,9% das exportações foram afetadas. Mesmo assim, representantes do setor produtivo, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), pedem que o governo brasileiro se empenhe no diálogo com Washington, com o objetivo de reverter o cenário.
Um dos pontos de maior atrito na investigação que culminou na sanção tarifária foi a existência do Pix. Empresas de cartão de crédito dos Estados Unidos reclamam de concorrência desleal, uma vez que o sistema instantâneo é gerido pelo Banco Central (BC) e não tem taxas. O Judiciário, porém, não ficou de fora: o governo americano acusa magistrados brasileiros de imporem censura contra seus cidadãos, bloqueando perfis e redes sociais inteiras, como ocorreu com o Rumble em fevereiro de 2025.