O presidente do banco Itaú, Milton Maluhy, afirmou nesta quarta-feira (5) que o sistema financeiro brasileiro sofreu “perdas bilionárias” com a fraude contábil das Lojas Americanas e classificou o caso como uma das maiores já vistas no país. As investigações apontam um rombo estimado em cerca de R$ 54 bilhões.
Maluhy rejeitou qualquer acusação de conivência dos bancos e afirmou que seria “ilógico” imaginar a participação de instituições financeiras em um esquema que gerou prejuízos expressivos para elas próprias. O problema, disse, ultrapassou uma simples divergência sobre registros contábeis e envolveu uma ação deliberada para esconder informações financeiras da companhia.
“O problema não foi uma simples discussão de classificação contábil, mas sim uma ação deliberada de ‘omitir e ocultar’ passivos, reforçando que a responsabilidade pela contabilidade é da companhia e de seus auditores”, declarou durante a apresentação do balanço da instituição no segundo trimestre deste ano.
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Maluhy revelou que o Itaú interrompeu as operações com a Americanas antes da descoberta pública da fraude por exigir um nível rigoroso de informações financeiras da empresa. Ele acrescentou que a chamada carta de circularização enviada pelos bancos serve apenas como instrumento de apoio ao trabalho dos auditores, não podendo ser interpretada como prova de participação ou conivência das instituições financeiras.
Para ele, mesmo considerando todas as receitas obtidas ao longo dos anos com operações de risco sacado da Americanas, o saldo final para o sistema financeiro foi negativo para todos os bancos que trabalhavam com a rede.
“Mesmo que você considere as receitas geradas nos períodos anteriores dessas operações de risco sacado, o sistema financeiro como um todo, perdeu bilhões de reais. Então, se você puser na balança as receitas menos as perdas de crédito, o saldo é super negativo”, afirmou.
Em meados de junho, a Polícia Federal realizou uma nova fase da Operação Disclosure para ampliar o alcance das investigações sobre a fraude bilionária na varejista. Policiais cumpriram mandados de busca e apreensão, incluindo buscas pessoais, no Rio de Janeiro e em São Paulo, e chegando pela primeira vez nos acionistas da empresa e em executivos de bancos, entre eles o próprio Itaú.
De acordo com a Polícia Federal do Rio de Janeiro, as investigações apontaram “fortes indícios da prática de crimes de manipulação de mercado e associação criminosa”.
A corporação também informou que as apurações iniciadas após a primeira fase da Operação Disclosure, em junho de 2024, indicam que os investigados “tinham pleno conhecimento das fraudes contábeis praticadas ao longo de anos”.