A Secretaria da Agricultura Familiar (SAF) realizou a entrega de 1,3 mil quilos de alimentos para a Cozinha Solidária Dona Cumbuca, localizada na comunidade quilombola Salinas, no município de Campinas do Piauí. A entrega, que ocorreu neste sábado (5), foi a primeira realizada pelo Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) para esta cozinha solidária. O programa é executado pela SAF em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
Um investimento de R$ 1,23 milhão do PAA Cozinha Solidária possibilitou a aquisição de diversos alimentos, incluindo carne ovina, galinha, peixe, mel, manga, coco, banana e cheiro verde, diretamente de agricultores familiares da comunidade quilombola Salinas. Essa ação beneficiará 117 famílias que recebem refeições da cozinha comunitária, a qual realiza distribuições pelo menos duas vezes por semana para famílias de crianças atendidas pelos projetos do Centro Cultural Samba de Cumbuca.
A secretária da Agricultura Familiar do Piauí, Rejane Tavares, ressaltou a relevância da cozinha comunitária, que a partir de agora com as entregas do PAA, passa a ter alimentos produzidos pela própria comunidade, a serem servidos para os moradores.
“Aqui na comunidade quilombola eles produziram esses alimentos que vão virar refeições para os moradores. É uma tradição inclusive da comunidade ter essas refeições coletivas onde eles expressam todo esse processo produtivo, a sua cultura, e a união dessa comunidade que, há anos, luta por regularização da área e por reconhecimento da luta quilombola e também pelo reconhecimento da sua produção enquanto agricultores familiares”, destacou.

O líder quilombola Marcos Vinícius Ferreira, que é coordenador de Políticas Públicas para Comunidades Quilombolas da Secretaria da Assistência Social e Cidadania (Sasc), citou que a comunidade se caracteriza pela produção de alimentos e que, com o PAA, vai incentivar ainda mais a produção e o consumo de alimentos saudáveis.
“Uma das maiores características da economia daqui é a agricultura familiar, a criação de animais de pequeno porte como galinha, porco, ovelha, e a produção de hortaliças, feijão, milho. E nós temos agora a grata satisfação de ter nossa cozinha reconhecida como solidária, e essa parceria que a gente tem da associação quilombola com as gestões municipal e estadual”, destacou.
Ainda segundo o coordenador, a cozinha foi batizada de “Dona Cumbuca” em homenagem ao Samba de Cumbuca, tradição da comunidade, preservada pelas novas gerações. Ele citou que as refeições são servidas para os participantes das atividades do centro cultural da comunidade.
“Em 2014, quando a gente construiu o centro, a gente passou a produzir alimentos em mutirão para sentar, comer e para falar da cultura, da história da comunidade, e também já trazendo para a nossa vivência o nome dessa cozinha, que é ‘Cozinha Quilombola Dona Combuca’, em homenagem ao Samba de Cumbuca, às nossas mulheres negras que fundaram o quilombo e que trouxeram com elas várias receitas que a gente usa até hoje”, citou.
O agricultor João Filho Santos, um dos beneficiários e morador do quilombo Salinas, celebrou ter participado pela primeira vez de uma venda para o PAA Cozinha Solidária e frisou a qualidade dos seus produtos.
“Estou aqui com meus produtos, maga, coco, banana, fornecendo aqui pro PAA. A gente fornece um produto de qualidade, sem agrotóxico, favorecendo o meio ambiente. São produtos naturais cultivados aqui mesmo na comunidade Salinas”, disse.