A Ucrânia denunciou, neste sábado, 27, que a Rússia desconectou a Usina Nuclear de Zaporizhzhia do sistema elétrico nacional e tenta integrá-la à rede russa. O corte já dura quatro dias e, segundo Kiev, põe em risco a segurança da maior central atômica da Europa.
“Instamos todas as nações preocupadas com a segurança nuclear a dizer claramente a Moscou que deve encerrar sua aposta nuclear”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andrii Sibiga, em mensagem publicada no X.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, afirmou que Kiev reagirá se Moscou ameaçar provocar apagões no país. “Responderemos a qualquer tentativa de usar a energia como arma contra a população”, disse em comunicado.
Usina Nuclear de Zaporizhzhia sob controle russo
Localizada no sul da Ucrânia, a planta de Zaporizhzhia foi tomada pela Rússia no início da invasão, em fevereiro de 2022. O complexo tem seis reatores refrigerados a água e construídos ainda na era soviética. Ao longo da guerra, Kiev e Moscou trocam acusações de ataques à área, enquanto a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) alerta para riscos de desastre nuclear.
Segundo a AIEA, este é o período mais longo em que a usina ficou desconectada da rede ucraniana desde o começo do conflito. O fornecimento interno depende de geradores a diesel para manter sistemas de resfriamento e outras funções essenciais de segurança.
A guerra entre Rússia e Ucrânia
A guerra iniciada pela Rússia em fevereiro de 2022 arrastou a Ucrânia para um conflito de desgaste que se prolonga sem sinais claros de solução. O avanço russo no sul do país transformou a região de Zaporizhzhia em um dos pontos mais sensíveis do front: a maior usina nuclear da Europa permanece ocupada por tropas de Moscou desde os primeiros meses da invasão. De lá para cá, Kiev e Moscou trocam acusações de ataques à infraestrutura energética, enquanto a AIEA alerta para o risco de um acidente grave.
A Rússia tenta integrar a planta ao seu sistema elétrico e reduzir a dependência ucraniana, usando a energia como instrumento de pressão militar e política. Segundo analistas, o controle sobre Zaporizhzhia dá a Moscou poder de desestabilizar o abastecimento do país vizinho e aumentar o custo da guerra para a população civil. Ao mesmo tempo, Kiev busca reforço de aliados ocidentais para manter a segurança nuclear e evitar novos apagões que poderiam comprometer hospitais, indústrias e redes de comunicação em meio ao inverno rigoroso.