O rombo das contas das empresas estatais federais atingiu R$ 7,8 bilhões no primeiro semestre deste ano e bateu recorde para o período desde o início da série histórica do Banco Central, em 2002. O valor divulgado nesta sexta-feira (31) já supera, inclusive, o registrado em todo o ano de 2024, quando o déficit smou R$ 6,73 bilhões.
A metodologia utilizada pela autoridade monetária não inclui a Petrobras, a Eletrobras e as instituições financeiras públicas. O órgão explica que essas duas empresas foram retiradas da base de cálculo em 2009, mas toda a série histórica foi revisada com o mesmo critério, permitindo a comparação dos dados desde 2002.
Entre as empresas consideradas no levantamento estão os Correios, a Infraero, Casa da Moeda, Serpro, Dataprev, Hemobrás, Emgepron e Emgea. O indicador do Banco Central leva em conta a variação da dívida das estatais, metodologia amplamente utilizada em análises fiscais internacionais, diferente do conceito adotado pelo governo, baseado no cálculo de receitas e despesas sem considerar os juros da dívida.
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O próprio governo reconhece que o cenário de rombo não deve melhorar no curto prazo, tanto que a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, enviado ao Congresso Nacional, já prevê que as estatais federais permaneçam no negativo até pelo menos 2030.
Grande parte do resultado tem sido atribuída à situação financeira dos Correios, que registrou um rombo de R$ 8,5 bilhões em 2025. Segundo o governo, a estatal ainda deve enfrentar um elevado prejuízo em 2026, mesmo com a execução de um plano de reestruturação.
O documento da LDO afirma que “a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026”, apesar das medidas adotadas para reduzir custos como programas de demissão voluntária, revisão dos planos de previdência e saúde, venda de imóveis ociosos e reajustes tarifários.
Para reforçar o caixa, os Correios contrataram, em dezembro de 2025, um empréstimo de R$ 12 bilhões com garantia do Tesouro Nacional. Em fevereiro deste ano, o Conselho Monetário Nacional também autorizou a estatal a buscar mais R$ 8 bilhões em financiamentos com garantia da União.
Além disso, o governo autorizou, em maio, que os Correios ampliem sua atuação comercial, passando a vender seguros, títulos de capitalização e serviços de telefonia por meio de convênios com instituições financeiras. A expectativa é criar novas fontes de receita para reduzir a pressão sobre as contas da empresa.