Presidenciável do Missão, Renan Santos incorporou como mais um lema de sua campanha a frase “decisão ilegal não se cumpre”. O bordão surgiu em uma entrevista concedida à GloboNews na tarde desta quarta-feira (5) e acabou virando slogan. Ele endossou a própria declaração em sua conta no X.
Na entrevista, conduzida pelas jornalistas Andréia Sadi e Natuza Nery, a pergunta se apoiava em um vídeo no qual o pré-candidato dizia que não cumpriria uma decisão do Supremo que contrariasse uma determinação do Congresso Nacional. Renan sustentou sua declaração anterior e voltou a endossar a intenção de desobedecer a ordens judiciais consideradas “ilegais”.
“Se o Supremo Tribunal Federal tomar uma decisão ilegal, decisão ilegal não se cumpre. Ponto”, ponderou. Ele ilustrou considerar “ilegal” uma decisão monocrática (ou seja, de um único ministro do STF) que contrariasse o entendimento colegiado do Congresso Nacional. O exemplo usado foi o de uma decisão que proibisse a intervenção em algum estado do país.
“Se eu cumprir todo o procedimento e seguir todos os trâmites legais, não pode vir outro Poder e revogar. O Poder que tem suas prerrogativas invadidas pode se insurgir”, afirmou. Mais uma vez indagado sobre quem definiria se a decisão é ilegal ou não, invocou a Constituição.
Pegadinhas
A entrevista foi conduzida com várias tentativas de pegar Renan desprevenido. As jornalistas exibiram um vídeo em que ele se dizia “machista”, ao que Renan respondeu tratar-se de uma figura de linguagem. Ele também foi confrontado com imagens nas quais chamava o Centrão de “vagabundo” e “parasita”. Apesar de criticar o bloco pelas articulações para obter votos favoráveis a projetos, acabou admitindo que faria uma “composição” com o grupo.
Em outro trecho, Renan reiterou as críticas à forma como o Centrão utiliza as emendas parlamentares e elogiou a atuação do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), contra supostos abusos cometidos por partidos desse bloco na destinação das verbas.
Renan Santos é fundador do Movimento Brasil Livre (MBL) e aparece em terceiro lugar nas pesquisas, atrás de Lula e de Flávio Bolsonaro.