Embora a soja e a carne sejam os produtos mais famosos do agronegócio brasileiro, o homem mais rico do setor é famoso por ser o rei de outra paixão nacional que também depende da roça para existir: a cerveja. A fortuna? Cerca de US$ 16 bilhões. Dinheiro que o coloca entre os três maiores bilionários do país. À frente, apenas a herdeira Lily Safra (US$ 23 bilhões) e Eduardo Saverin (US$ 41 bilhões), um dos fundadores do Facebook.
A carreira do rei da cerveja, porém, não começou no meio do mato. Mesmo hoje, nada de botas e chapéu de caubói. Na juventude, tentou fazer carreira em um meio eminentemente urbano: o tênis — mas fracassou ao tentar chegar ao topo do esporte. Depois, reinventou-se como banqueiro aos 32 anos. Contudo, a grande tacada aconteceu em 1999, quando entrou para o mercado de bebidas. Na época, comprou as maiores cervejarias do Brasil.
Seu nome? Jorge Paulo Lemann, o principal acionista da 3G Capital. Embora também sejam lembrados pelo caso da Americanas, empresa que protagonizou um dos maiores escândalos de corrupção no meio empresarial, o grupo possui ativos icônicos. Entre eles, o controle sobre uma empresa pouco conhecida no Brasil, a belga AB InBev. É a dona de uma das companhias mais famosas do Brasil, a Ambev, que controla as grandes cervejarias do país até hoje.
Na lista estão marcas como Brahma, Antarctica, Skol, Bohemia, Original, Colorado, Eisenbahn, Corona e Budweiser. São negócios que não existiriam sem a combinação de duas matérias-primas fornecidas pelos agricultores há séculos: lúpulo e cevada — eventualmente misturadas com outros vegetais, como milho, arroz e trigo.
O rei da cerveja no mundo dos hambúrgueres
Além disso, o rei da cerveja controla outros negócios que dependem do agronegócio para existir. Entre eles, um império no mundo dos hambúrgueres. Por meio da 3G Capital, Lemann também controla a marca Burger King em todo o planeta.
Nome entre as mais famosas redes mundiais de fast-food, quase toda a experiência do consumidor com a marca depende do agro. A regra vale até mesmo para os tampos das mesas feitos com madeira compensada e o papel usado como embalagem e acessório de higiene, ambos dependentes das plantações de eucalipto e pinus para existirem de modo sustentável.
Quanto aos alimentos, todos vêm de fazendas ou das matérias-primas produzidas nelas. Não haveria, por exemplo, sorvete sem o leite da vaca ou ketchup sem o tomate cultivado por um agricultor. A fortuna do rei da cerveja prova: embora o dinheiro não dê em árvores, as plantações são grandes criadoras de riqueza — inclusive fora da roça.