Teresina - Piauí quarta-feira, 01 de julho 25°C
Destaque / Internacional

Regime chavista prioriza repressão após tragédia, diz ONG

Mortes na Venezuela após terremotos chegam a 1.450

A ONG de direitos humanos Programa Venezuelano de Educação-Ação em Direitos Humanos (Provea) denunciou nesta quarta-feira (1º) que o regime chavista está priorizando o controle militar e policial das áreas atingidas pelos terremotos na Venezuela, em vez de concentrar esforços no socorro direto às vítimas da tragédia. Segundo a entidade, a constatação foi feita após uma segunda visita feita por membros da ONG ao estado de La Guaira, uma das regiões mais devastadas pelos tremores de 24 de junho.

De acordo com o Provea, a presença de atores internacionais, agências das Nações Unidas, organizações humanitárias e voluntários da sociedade civil tem sido essencial para levar apoio aos atingidos. A ONG afirmou que esses grupos têm atuado como uma ponte entre as doações feitas pela população em centros de arrecadação e as famílias afetadas pela tragédia.

A entidade, porém, disse não ter identificado uma ação do regime chavista equivalente para garantir serviços básicos à população.

“Não observamos nenhum esforço ou iniciativa estatal para prover aos cidadãos serviços essenciais como alimentação ou água potável”, afirmou o Provea, em publicação no X. Segundo a organização, a atuação das autoridades chavistas “parece estar priorizando o controle militar do território” em vez da população atingida pela tragédia.

A denúncia foi feita uma semana depois dos dois terremotos que atingiram o norte da Venezuela e provocaram destruição em várias localidades, especialmente em La Guaira. Segundo balanço oficial divulgado pelo presidente da Assembleia Nacional chavista, Jorge Rodríguez, nesta quarta, a tragédia já deixou ao menos 2.295 mortos, 11.267 feridos e 12.841 desabrigados.

Segundo Rodríguez, as equipes de emergência continuam trabalhando entre os escombros nas áreas mais afetadas. O regime chavista também informou que mais de 17 mil pacientes foram atendidos desde o início da emergência, em hospitais, centros de triagem e postos sanitários instalados nas zonas atingidas.

A Provea, no entanto, afirmou que o amplo envio pelo regime chavista de forças de segurança civis e militares para a região pode atrapalhar as operações de socorro, caso não haja coordenação adequada com os organismos humanitários. Segundo a ONG, há sobreposição de funções entre diferentes corpos de segurança no terreno, o que tem prejudicado até a circulação de ambulâncias, profissionais de saúde e equipes de resgate.

A organização também mencionou a presença de agentes do serviço de inteligência chavista na zona de desastre. De acordo com a Provea, esses agentes não têm competência legal direta em gestão de riscos e controle de ordem pública nesse tipo de emergência, e sua atuação pode dificultar ainda mais o manejo da crise. A ONG alertou ainda para o risco de abusos contra os direitos humanos.

A crítica da entidade se soma a relatos anteriores de moradores e jornalistas sobre abandono, dificuldade nos resgates e tensão com militares em La Guaira. Após essas denúncias, o regime venezuelano suspendeu por 48 horas o traslado de jornalistas em ônibus para a região mais destruída pelos terremotos. A medida foi informada à agência EFE por uma fonte próxima ao Ministério da Comunicação, que alegou “recomendação sanitária” e disse que as horas seguintes seriam decisivas para localizar sobreviventes.

A suspensão foi criticada pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores da Imprensa da Venezuela. Em publicação no X, a entidade afirmou que impedir a cobertura em campo “não resolve a emergência” e defendeu que o país precisa de informação verificada e oportuna, especialmente para as famílias das vítimas.

Fonte

Deixe seu comentário

Seu e-mail não será publicado. Campos obrigatórios estão marcados.