O empresário Rafael Belaúnde, que disputa a pré-candidatura à Presidência do Peru pelo Partido Liberdade Popular, escapou ileso depois de sofrer um ataque a tiros nesta terça-feira, 2, em Cerro Azul, ao sul de Lima. O carro que ele dirigia foi alvejado diversas vezes próximo a uma propriedade da família do político, segundo o relato da polícia.
De acordo com informações do general Óscar Arriola, chefe da Polícia Nacional, dois homens em uma motocicleta dispararam de oito a nove vezes contra o veículo. Belaúnde revidou com sua arma e efetuou ao menos 12 disparos, detalhou Arriola ao portal Perú 21. Apesar da troca de tiros, não houve registro de feridos por bala.
O general Arriola classificou o episódio como um “incidente de segurança” em meio ao crescimento da criminalidade organizada no país, marcada por extorsões e homicídios, cenário que vem impulsionando protestos em diversas cidades, principalmente na capital peruana.
Segundo a polícia, os ferimentos do político foram provocados por estilhaços do para-brisa, atingido por três projéteis. Belaúnde declarou que se trata de “arranhões sofridos depois do incidente”. O general Arriola acrescentou que o pré-candidato relatou não ter recebido ameaças de extorsão nem outro tipo de intimidação.
Belaúnde pretende disputar as eleições gerais marcadas para 12 de abril e figura entre pelo menos 12 pré-candidatos. Atualmente, ele aparece nas últimas posições das pesquisas, enquanto Rafael López Aliaga, ex-prefeito de Lima, e Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, lideram a preferência do eleitorado, ambos com discursos firmes contra o crime organizado.
Rafael Belaúnde é neto do ex-presidente Fernando Belaúnde, que governou o Peru entre 1963 e 1968 e de 1980 a 1985. “É um início ruim de campanha” […]”, afirmou Pedro Cateriano, ex-ministro e fundador do Liberdade Popular, à rádio RPP. “É preciso rejeitar com firmeza este ataque a tiros sofrido pela manhã por Rafael Belaúnde.”
Contexto de instabilidade e crise política no Peru
Nos últimos anos, o Peru enfrenta níveis de violência inéditos desde o fim do conflito com as guerrilhas de esquerda em 2000. A pressão de grupos criminosos levou a sociedade civil às ruas, com protestos organizados principalmente por jovens da chamada geração Z e trabalhadores dos setores de transporte e comércio, diretamente impactados pela insegurança.
Nesse ambiente de instabilidade social, o Congresso destituiu, em julgamento acelerado, a então presidente Dina Boluarte em 10 de outubro. José Jerí, chefe do Parlamento, assumiu interinamente o governo, com mandato previsto até julho de 2026, quando será empossado o novo presidente eleito.