A Polícia Federal (PF) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um terceiro inquérito para investigar um suposto crime de corrupção e tráfico de influência no governo praticado por Fábio Luís da Silva, o Lulinha. A iniciativa fez com que o advogado Marco Aurélio de Carvalho, que defende o filho do presidente, se reunisse com autoridades do Executivo e também fosse ao STF nesta segunda-feira (3).
Os outros dois inquéritos pedidos pela PF ao STF foram autorizados pelo ministro André Mendonça, que também poderá ser relator deste caso, mas ainda não há informação sobre a quem caberá a relatoria do terceiro inquérito. As justificativas da PF girariam em torno do favorecimento a “empresas parceiras”, sem maiores detalhes.
Carvalho disse com exclusividade à Gazeta do Povo que está “preocupado” com o que considera uma utilização político-eleitoral dos instrumentos de investigação da PF. Ele afirma que o procedimento da PF “não é bom para a democracia”, às vésperas de uma eleição.
“A situação saiu do controle; pedi ao ministro (da Justiça, Wellington César Lima e Silma) providências enérgicas. Não tivemos acesso aos autos, falei isso ao ministro, trata-se apenas de provocar desgaste político. Nem eu sei sobre o que são estes inquéritos! O inquérito anterior devia ter sido arquivado”, declarou Carvalho.
A escala seguinte da peregrinação do advogado pela Praça dos Três Poderes, em Brasília, nesta tarde seria o STF, por volta das 16h, onde ele afirmou que tentaria uma reunião diretamente com Mendonça ou com algum assessor do ministro “para entender” o que está acontecendo.
Outro advogado de Lulinha, Guilherme Suguimori, também afirma não ter obtido acesso aos inquéritos. Segundo Suguimori, “é indicativo claro de que devemos nos preocupar com a legalidade na condução das investigações” a publicização “seletiva dos procedimentos”.
“Por ora, asseguro que Fábio Luís seguirá à disposição da Justiça para esclarecer tudo o que for necessário com total tranquilidade”, completou.
Mendonça recebeu na quarta-feira e autorizou logo na quinta-feira o pedido do primeiro inquérito. O primeiro tratava da tentativa de favorecer a empresa de Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, em uma possível venda de cannabis medicinal no Ministério da Saúde. O segundo inquérito tratava de licitações na Dataprev. O STF informou que não há informações oficiais sobre do que trata o pedido do terceiro inquérito, embora tenha confirmado a autorização de Mendonça sobre os outros dois.