A Polícia Federal (PF) passou a tratar como foragido Carlos Roberto Ferreira Lopes, presidente da Conafer, depois de não encontrá-lo para cumprir ordem de prisão preventiva emitida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
A ação faz parte da nova etapa da operação Sem Desconto, realizada nesta quinta-feira 13.
Lopes é acusado de ser o principal articulador do esquema de desvios no INSS, conforme apuração da PF.
Segundo o relatório da PF, ele controlava as operações financeiras, orientava as fraudes e coordenava a atuação política do grupo ligado à Conafer.
Presidente da Conafer negou intenção de fugir
Entre 2019 e 2024, a entidade esteve envolvida em descontos que somaram R$ 484 milhões em aposentadorias, segundo levantamento da Controladoria-Geral da União (CGU).
A assessoria da Conafer afirmou ao jornal Folha de S.Paulo que não tem contato com Lopes desde a manhã de quinta-feira 13.
Em entrevista à Folha, em 15 de outubro, Lopes negou intenção de fugir.
“Se fui lá (na CPI do INSS) sem habeas corpus, pedi para depor, como você julgaria que esse cara quer fugir?”, afirmou. “Um cara que funciona de segunda a sexta? Não tem motivos para eu fugir. Se o STF julgar procedente o cerceamento da minha liberdade, eu me apresento. Minha entidade funciona e não oferece nenhum risco para a sociedade.”
Lopes também criticou a CPMI, afirmando que a comissão é seletiva e o usa como “boi de piranha” para encobrir outras instituições.
“Estão batendo naqueles que são grandes para esconder os que não existem”, declarou, acrescentando que havia “uma agenda política para destruir e privatizar a Previdência”.
Investigação
De acordo com as investigações, o empresário Cícero Marcelino de Souza Santos seria o operador financeiro do esquema, responsável por transferências de propina a agentes públicos, incluindo o ex-presidente do INSS Alessandro Stefanutto, apontado como beneficiário de R$ 250 mil mensais. A defesa de Stefanutto nega envolvimento.
No final de setembro, Lopes foi preso em flagrante por falso testemunho depois de depor na CPMI.
O deputado Alfredo Gaspar (União-AL), relator da comissão, pediu ao STF sua prisão preventiva, argumentando risco de fuga, ameaça a testemunhas e ocultação de bens.
Em nota, a Conafer manifestou preocupação com a operação e ressaltou o direito de defesa de todos os citados, afirmando confiar nas instituições e se colocar à disposição das autoridades para esclarecimento dos fatos e garantia da legalidade.
A entidade também cobrou isonomia e transparência nas investigações.