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PF: Atuação de Lulinha e Luchsinger ‘extrapola limites éticos e legais’

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, atuava em “comunhão de interesses econômicos” com a lobista Roberta Luchsinger e o empresário Fernando Bittar em negócios relacionados à venda de produtos à base de cannabis medicinal ao governo Lula (PT), de acordo com relatório da Polícia Federal (PF) obtido pela Folha de S.Paulo.

A informação consta em representação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) que levou à abertura de um dos inquéritos contra Lulinha por tráfico de influência.

Segundo os investigadores, Lulinha, Luchsinger e Bittar mantinham uma “sociedade oculta” para buscar contratos com o Ministério da Saúde. Bittar é empresário e foi um dos “proprietários formais” do sítio de Atibaia (SP), investigado pela Lava Jato.

Na representação obtida pela Folha, os delegados da PF afirmam que a atuação do trio teria ido além da intermediação de interesses perante órgãos públicos. Para a corporação, as condutas deles “extrapolam significativamente os limites éticos e legais inerentes a essa atividade” de lobby, já que visavam “a facilitação da obtenção de contratos públicos, a promoção de alterações legislativas em benefício de interesses privados específicos e a realização de pagamentos a agentes públicos ocupantes de cargos de elevada hierarquia”.

“Os elementos reunidos indicam que Roberta atuou de forma sistemática na interlocução de interesses relacionados ao mercado do canabidiol junto a integrantes do Ministério da Saúde e do gabinete presidencial, tendo Fábio Luís Lula da Silva aparentemente acompanhado ou impulsionado determinadas tratativas”

O conteúdo da representação coincide com informações de outro relatório da PF revelado pela revista Veja ontem (20). O documento aponta Lulinha como “beneficiário indireto” das articulações de Luchsinger. “As comunicações indicam que Fábio é mencionado por Roberta Luchsinger como referência decisória nos projetos discutidos. Ele foi indicado como beneficiário indireto das articulações conduzidas por terceiros em seu nome”, afirma trecho da investigação reproduzido pela revista.

Segundo a PF, no documento da Folha, Roberta participa formalmente de “diversas pessoas jurídicas”, mas não foram identificados vínculos societários formais entre ela e Lulinha. Ainda assim, os investigadores afirmam que os dois “mantinham estrutura informal de atuação voltada à captação, gestão e execução de demandas de interesse privado perante agentes públicos, com expectativa de obtenção de vantagens econômicas decorrentes dessas intervenções”.

“A conclusão decorre não apenas da frequência dos contatos identificados [entre os sócios], mas principalmente do conteúdo das conversas mantidas por seus integrantes, as quais evidenciam vínculo associativo estável, comunhão de interesses econômicos e atuação conjunta na condução de negócios.”

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