O senador Jaques Wagner (PT-BA) informou à Justiça Eleitoral que tem um patrimônio total de R$ 24,5 milhões, 630% maior do que os R$ 3,3 milhões declarados na eleição de 2018. A declaração foi encaminhada pelo próprio Wagner ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e está disponível no site DivulgaCand Contas.
O item de maior valor na atual declaração do senador é um crédito de R$ 13,8 milhões, proveniente da venda de um imóvel para o Esporte Clube Bahia e para a Lagoons Empreendimentos SPE Ltda.
Segundo apuração do jornal Folha de S. Paulo, Wagner comprou o terreno de 51 mil metros quadrados no ano 2000, quando era deputado federal, por R$ 28 mil, cerca de R$ 130 mil em valores corrigidos. O senador vendeu o imóvel no ano passado por R$ 15 milhões.
A valorização do terreno está ligada à sua localização estratégica às margens da Via Metropolitana, rodovia planejada e contratada durante o período em que Wagner governou a Bahia (2007-2014). A estrada, inaugurada em 2018, consolidou um novo eixo de expansão urbana na Grande Salvador.
No último dia 18, o jornal O Estado de S. Paulo revelou que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça suspendeu a transferência do terreno em uma decisão assinada em 25 de junho, na esteira da Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master.
No dia 24 de julho, o senador comentou sobre a venda do terreno ao participar do programa Levante a Voz, da rádio Andaiá FM. O senador chegou a compartilhar o link da transmissão ao vivo, mas o vídeo não está mais disponível no canal do YouTube da emissora.
Na ocasião, o parlamentar relatou que perdeu um pedaço do terreno com a construção da rodovia, mas disse que não cobrou pela desapropriação. “A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor, cortou lá um pedaço do terreno e eu digo: ‘não vou cobrar nenhuma desapropriação'”, disse o senador à rádio Andaiá FM.
Wagner foi alvo da 9ª fase da operação. A Polícia Federal investiga suspeitas de que o senador teria recebido vantagens financeiras indevidas do Master, como um apartamento de luxo em Salvador, viagens a uma localidade conhecida como “Ilha da Paixão”, na Bahia, e ingressos para um show em São Paulo.
Ele deixou a liderança do governo Lula (PT) no Senado após ser alvo da PF. O senador nega qualquer irregularidade e reafirmou que provará sua inocência.
“Eu tenho certeza de que vou provar minha inocência. O inquérito, evidentemente, demora um tempo. Eu agora estou focado na eleição. Temos dois meses para a eleição. Sábado vai ser a nossa convenção com a presença do [presidente] Lula”, disse Wagner em entrevista à rádio Baiana FM, no dia 31 de julho.
Outros bens
Wagner declarou em 2026 uma série de aplicações em renda fixa (CDB, RDB, LCA, CRI e CRA) e debêntures, um apartamento em Salvador avaliado em R$ 1,6 milhão e 50% de um sítio em Andaraí (BA), valorado em R$ 204 mil.
Em 2018, o senador possuía um apartamento no Edifício Mansão Victory Tower, em Salvador, e dois apartamentos no Rio de Janeiro recebidos como herança paterna, avaliados na época em R$ 25 mil cada.
No último pleito que disputou, Wagner declarou um Hyundai HB20 (2015), uma Toyota Land Cruiser Prado (2008) e uma Mitsubishi Pajero (2014).
Neste ano, os veículos declarados foram: Mercedes Benz 2023 (R$ 125 mil), BYD Song Plus 2023 (R$ 135 mil), Audi 2018 (R$ 130 mil) e Volkswagen Amarok 2021 (R$ 100 mil).
Nas declarações, constam um Ford de 1929, mantido pelo senador com o valor declarado de R$ 5 mil tanto em 2018 quanto em 2026.