O papa Leão XIV canonizou neste domingo, 19, sete novos santos da Igreja Católica, em uma cerimônia solene realizada na Praça de São Pedro, no Vaticano. O evento histórico incluiu os primeiros santos venezuelanos e um ex-sacerdote envolvido com o satanismo antes de se converter ao catolicismo.
Diante de cerca de 55 mil fiéis, o papa foi acompanhado por cardeais e bispos enquanto retratos gigantes dos novos santos eram expostos na fachada da Basílica de São Pedro. O cardeal Marcello Semeraro, responsável pelo Dicastério das Causas dos Santos, apresentou as biografias dos canonizados antes da leitura solene do decreto papal que os inscreveu oficialmente no cânone dos santos da Igreja.
Durante a homilia, Leão XIV destacou o exemplo de fé e entrega dos canonizados: “Que sua intercessão nos assista nas provas e seu exemplo nos inspire na comum vocação à santidade”.
Eis os novos santos canonizados:
- José Gregorio Hernández – médico venezuelano conhecido como “médico dos pobres”, símbolo de fé no país e referência durante a epidemia de gripe espanhola em 1919;
- Carmen Elena Rendiles – religiosa venezuelana que nasceu sem o braço esquerdo e fundou a Congregação das Servas de Jesus, dedicada a obras de caridade e educação;
- Bartolo Longo – ex-sacerdote envolvido com satanismo que se converteu ao catolicismo e se tornou fundador do Santuário de Nossa Senhora do Rosário de Pompeia;
- Peter To Rot – catequista da Papua-Nova Guiné assassinado em 1945 durante a ocupação japonesa na Segunda Guerra Mundial;
- Ignazio Choukrallah Maloyan – bispo armênio martirizado pelos turcos em 1915, durante o genocídio armênio;
- Vincenza Maria Poloni – italiana fundadora do Instituto das Irmãs da Misericórdia, voltado ao cuidado de doentes e pobres em Verona; e
- Maria Troncatti – missionária salesiana que atuou no Equador entre povos indígenas e tornou-se referência na assistência aos mais vulneráveis.
Emoção na Venezuela
A canonização de José Gregorio Hernández e Carmen Rendiles foi celebrada com fervor em Caracas e em diversas cidades venezuelanas. Hernández, médico e professor nascido em 1864, é considerado um símbolo nacional por sua dedicação aos pobres e pela atuação durante a gripe espanhola.
Ele também foi fundador da Academia Nacional de Medicina e é reverenciado por fiéis que frequentemente reproduzem sua imagem em trajes e estátuas. Uma escultura de nove metros está sendo erguida em sua homenagem no estado de Carabobo.
Carmen Elena Rendiles, nascida em 1903 e portadora de deficiência física — nasceu sem o braço esquerdo —, fundou a Congregação das Servas de Jesus e ficou conhecida por sua vida de caridade e disciplina religiosa. Faleceu em 1977 e é tida como exemplo de fé e resiliência.
Segundo ato de canonização do Papa Leão XIV
Esta foi a segunda cerimônia de canonização presidida por Leão XIV desde o início de seu pontificado, em 8 de maio. No mês anterior, o Papa havia declarado santos os jovens italianos Carlo Acutis, conhecido como “o influenciador de Deus”, e Pier Giorgio Frassati, símbolo de generosidade e dedicação à caridade.
Com a nova leva de canonizados, o Papa reforça a mensagem de universalidade da fé católica — com santos de diferentes origens, idades e trajetórias —, destacando que a santidade “é um chamado acessível a todos”.