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Padre exilado da Nicarágua relata perseguição religiosa

Padre exilado da Nicarágua relata perseguição religiosa

Um padre nicaraguense, forçado ao exílio após sofrer perseguição sistemática da ditadura de Daniel Ortega, exerce hoje seu ministério na Costa Rica. Ele faz parte de uma onda de religiosos que fugiram em 2024 para escapar de prisões arbitrárias e da repressão contra a Igreja Católica.

Por que o religioso precisou abandonar seu país de origem?

A situação tornou-se insustentável após ele apoiar estudantes com orações, alimentos e remédios durante protestos em 2018. Suas homilias sobre dignidade humana irritaram o governo, resultando em vigilância constante por militares armados dentro da igreja. No final de 2023, ele passou a viver na clandestinidade e, em janeiro de 2024, fugiu para a Costa Rica sob um mandado de prisão por crimes que afirma não ter cometido.

Como foi o processo de fuga e exílio?

O padre relatou uma saída dramática à meia-noite, sem poder se despedir da própria mãe ou de qualquer familiar por medo de represálias. Cruzar a fronteira foi um momento de profunda tristeza e dor. Atualmente, ele vive anonimamente para proteger os parentes que ainda permanecem na Nicarágua, enfrentando a nostalgia diária da terra natal enquanto tenta reconstruir sua vida pastoral.

Qual é a situação atual da Igreja Católica sob o regime de Daniel Ortega?

A Igreja vive sob um estado de perseguição sistemática. Desde 2018, foram documentados mais de 1.030 ataques contra católicos. A repressão resultou na expulsão ou exílio forçado de mais de cem padres e quatro bispos. O governo impõe um ambiente de medo, monitorando missas e tratando lideranças religiosas que pedem por justiça social e direitos humanos como inimigos do Estado.