Depois do anúncio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), nesta quarta-feira, 30, sobre a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, a oposição começou a se mobilizar para ter maioria. A Casa vai instalar o colegiado na próxima terça-feira, 4.
O anúncio do início dos trabalhos da comissão surgiu como reação à megaoperação policial contra o Comando Vermelho, ocorrida no Rio de Janeiro. O foco da CPI será investigar a estruturação, a expansão e o funcionamento de organizações criminosas, com foco na atuação de milícias e facções.
A composição do colegiado indica uma maior presença de senadores da oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre os nomes confirmados para a integrar o time de opositores como titulares estão quatro senadores de três partidos diferentes:
- Flávio Bolsonaro (PL-RJ);
- Sergio Moro (União-PR);
- Marcos do Val (Podemos-ES) e;
- Magno Malta (PL-ES).
O grupo também vai contar com os senadores Eduardo Girão (Novo-CE) e Márcio Bittar (PL-AC), que serão suplentes na CPI. Além disso, os partidos Progressistas e Republicanos ainda não definiram seus representantes, o que pode ampliar ainda mais a vantagem numérica da oposição dentro do colegiado.
Para o senador Marcos do Val, que estava licenciado, a CPI do Crime Organizado será “um campo de batalhada da verdade.”
“O Brasil está prestes a testemunhas a queda das máscaras e o início de uma nova era de transparência e justiça real”, declarou o senador capixaba em seu perfil na plataforma X. “Aqueles que vivem da manipulação e da impunidade sentirão o peso da lei.”
O SISTEMA VAI CAIR!
O retorno do Senador Marcos do Val ao Senado marca o início de uma nova ofensiva contra o crime organizado — sem medo e sem omissão.
A CPI do Crime Organizado não será palco de discursos vazios: será o campo de batalha da verdade.Com experiência de combate… pic.twitter.com/Vb3OmLyMop
— Senador Marcos do Val (@marcosdoval) October 30, 2025
Ala governista na comissão
Na lista de senadores que vão representar a ala governista está o líder da bancada, Jaques Wagner (PT-BA), e Rogério Carvalho (PT-SE) como titulares, além de Fabiano Contarato (PT-ES) na suplência.
Outros senadores com histórico de alinhamento ao governo Lula da Silva, como Otto Alencar (PSD-BA), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Alessandro Vieira (MDB-SE), também devem atuar ao lado dos petistas.
Além da CPI do Crime Organizado, Senado aprova ação contra facções
Além da criação da CPI do Crime Organizado, outra reação institucional ocorreu no Senado. O plenário da Casa aprovou um projeto que endurece as regras das audiências de custódia e autoriza a coleta de material genético de suspeitos de integrar organizações criminosas. O senador Sergio Moro relatou a proposta.
A iniciativa permite decretar a prisão preventiva em casos de participação em organizações criminosas, uso reiterado de violência ou apreensão de grandes quantidades de drogas, armas ou munições.
O texto define que o juiz deve considerar alguns fatores antes de autorizar a soltura do preso, como:
- o uso reiterado de violência;
- participação em organização criminosa e;
- natureza das drogas ou armas apreendidas.
Para Moro, as alterações aperfeiçoam o instrumento das audiências de custódia, regulamentadas pelo Conselho Nacional de Justiça desde 2015. Segundo ele, o objetivo é “prevenir torturas e abusos, sem comprometer a responsabilização dos criminosos”. O texto segue agora para sanção presidencial.