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O conselheiro informal de Donald Trump

Ele foi um dos articuladores dos Acordos de Abraão, em 2020, que formalizaram relações diplomáticas de Israel com países árabes. Jared Kushner, de 44 anos, não é mais assessor oficial da Casa Branca, neste novo mandato de seu sogro, Donald Trump.

Mas, nos bastidores, continua com o papel de conselheiro sênior do presidente, pai de sua mulher, Ivanka, quando o assunto são as relações diplomáticas de Israel no Oriente Médio.

Seu papel voltou a ganhar destaque. Em agosto último, Kushner, de origem judaica, participou de uma reunião com Trump e o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair para tratar da guerra em Gaza e de possíveis cenários de reconstrução e segurança regional.

Ele também passou a orientar Steve Witkoff, novo enviado especial de Trump para o Oriente Médio, sobre como conduzir a política norte-americana na região, segundo o The Tmes of Israel e a Reuters.

No atual cenário do conflito, Kushner ajuda a definir diretrizes e a orientar negociações que podem impactar diretamente o posicionamento dos EUA. Sua voz, embora fora da estrutura formal do governo, permanece influente, na mediação de conversas e na construção de alianças.

Desde que deixou a Casa Branca, em 2021, Kushner fundou a Affinity Partners, empresa de private equity que se tornou um elo entre Washington, Israel e os países do Golfo. Jared é filho do empresário do ramo imobiliário Charles Kushner.

Charles se declarou culpado, em 2005, de 18 acusações de sonegação fiscal, entre outras, e foi perdoado em 2020 por Trump, dias antes de ele deixar a Presidência.

O filho, porém, parece seguir trilha própria. O fundo soberano da Arábia Saudita, o Public Investment Fund (PIF), investiu US$ 2 bilhões na Affinity, conforme revelaram o The New York Times e o Wall Street Journal. A companhia tem como foco negócios norte-americanos e israelenses com expansão para Índia, África, Oriente Médio e Ásia.

Conselheiro de Trump no Golfo

Em setembro de 2023, a Affinity fez seu primeiro investimento em Israel: a compra de 15% da divisão automotiva e de crédito do Shlomo Group por US$ 150 milhões. O negócio foi interpretado como um sinal da abertura saudita para transações com Israel, mesmo sem laços diplomáticos formais.

Além da frente empresarial, Kushner se manteve próximo a lideranças do Golfo, sobretudo ao príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman. Ele discutiu várias vezes negociações que envolvem EUA, Arábia Saudita e Israel desde que deixou a Casa Branca, consolidando-se como um interlocutor extraoficial da região.

Witkoff tem sido o assessor da Presidência dos EUA, no aspecto formal. Atua como importante interlocutor, contando, no entanto, com a ajuda de Kushner nos bastidores.



Via Revista Oeste

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