Em discurso no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável (Conselhão) nesta quinta-feira, 4, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve uma fala autobiográfica, na qual comentou sua falta de educação formal. “Eu quando nasci tinha que me explicar por que eu nasci”, disse à plateia.
“Você tem noção quantos anos eu passei explicando por que eu tinha barba? As pessoas esqueceram que Jesus Cristo tinha barba”, disse o petista. Ele lembrou que, na campanha de 1989, não era conhecido pelo nome — era chamado apenas de “candidato” — e cobrado para falar inglês fluente. Lula reclamou da exigência do segundo idioma. “Na vida em que eu sou presidente do Brasil, o que eu sei falar é a língua portuguesa do Brasil.”
Depois de pedir por uma proposta do Conselhão sobre a escala 6×1 e contra a violência contra a mulher — ele disse que, enquanto presidente, não vai propor nenhuma medida referente aos dois assuntos — Lula voltou a criticar mercado financeiro.
“Fico com muita pena do pessoal da Fazenda, do Haddad e da turma dele. Porque, p*rra, todo dia tem uma notícia: déficit fiscal, o governo está gastando… Quem é que se queixa tanto assim? É a Faria Lima”, disse o petista. “A Faria Lima está preocupada com o povo que está passando fome? Está preocupada com a periferia desse país? Não. Ela está preocupada em saber se vai ganhar mais, se vai receber o dela.”

Lula pede “comportamento exemplar” na política
O presidente pediu que os parlamentares e os magistrados tenham “comportamento exemplar” no exercício de seus cargos. “Quanto mais exemplar a gente for, mais credibilidade a gente conquista e mais respeitabilidade o povo vai ter nas instituições.” Ele pediu ao Conselhão que elabore propostas para impedir votações à distância.
“Tem gente que já está há dois meses fora votando. Tem gente que já está morando em outro país. Tem gente que mora em outro Estado. Tem juiz que é de uma cidade e mora no outro Estado. Ele não precisa ir lá [em Brasília].”
Ao final, Lula enalteceu o papel do Conselhão, formado por mais de 200 pessoas escolhidas pelo governo, que incluem agentes da sociedade civil, empresários, sindicalistas e movimentos sociais. “Luiza [Trajano], se a gente tivesse 80% dos empresários com a tua cabeça, se a gente tivesse daí 50% do agronegócio com a tua cabeça”, disse à dona do Magazine Luiza. “Se a gente tivesse as pessoas maduras… as pessoas sabem como construir este país.”