Parlamentares se enfrentaram na Câmara nesta terça-feira,5, durante debate sobre o PL 3/2025, proposta que trata da ampliação das condições para interrupção legal da gravidez. A deputada Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) afirmou, em plenário, que integrantes do Partido Liberal (PL) estariam defendendo o nascimento de bebês em casos de estupro para supostamente abastecer uma “máfia de tráfico de órgãos”. Nikolas Ferreira (PL/MG) reagiu.
Segundo Rejane, o direito das mulheres ao próprio corpo vem sendo negado por setores conservadores do Congresso. Ela alegou principalmente que deputados da direita desejam impedir a interrupção da gravidez mesmo em situações previstas na lei, para que vítimas de estupro sejam obrigadas a levar a gestação adiante. A parlamentar disse sobretudo que esse cenário atenderia interesses ligados ao “roubo e comércio de órgãos de recém-nascidos”. A acusação deu-se sem apresentação de provas ou nomes específicos.
Deputada: reação enérgica de Nikolas
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) respondeu imediatamente à fala, classificando a acusação como “absurda” e “sem qualquer racionalidade”. Ele afirmou que o debate pode ser intenso, mas que imputar a parlamentares envolvimento em crimes dessa natureza ultrapassa o limite da divergência política.
Nikolas disse nunca ter visto qualquer investigação ou denúncia jornalística que apontasse participação de integrantes do PL em esquemas de tráfico de órgãos. Segundo ele, o partido se posiciona pela defesa da vida desde a concepção, princípio que orienta a oposição ao PL 3/2025.
A discussão sobre o projeto tem ampliado a tensão entre os blocos progressistas e conservadores na Câmara. Enquanto parte da esquerda sustenta que a criminalização do aborto viola direitos reprodutivos e penaliza sobretudo mulheres pobres, parlamentares ligados a igrejas defendem principalmente que a proposta representaria legitimação da prática e violaria o direito à vida. Até o momento, não houve pedido de retratação formal ou encaminhamento ao Conselho de Ética.