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Mulheres cristãs enfrentam atrocidades graves na Nigéria, alerta grupo da ONU

Mulheres cristãs enfrentam atrocidades graves na Nigéria, alerta grupo da ONU

Um grupo de especialistas em direitos humanos das Nações Unidas emitiu um alerta contundente nesta semana sobre relatos de assassinatos, violência sexual, conversões forçadas, casamentos infantis, casamentos forçados, sequestros e desaparecimentos que têm como alvo mulhere, meninas de comunidades cristãs e outras minorias religiosas na Nigéria.

Em comunicado divulgado no dia 8 de junho, os especialistas afirmaram que a situação é “profundamente preocupante”, particularmente no norte da Nigéria e na região do Cinturão Central. Por lá, uma situação de segurança em deterioração e uma resposta inadequada das autoridades civis têm permitido que grupos extremistas armados – que incluem o Boko Haram e a Província da África Ocidental do Estado Islâmico, além de pastores muçulmanos radicalizados – operem com relativa impunidade.

Os profissionais da ONU apontaram como fatores contribuintes para o cenário: o papel das interpretações locais da lei islâmica (Sharia) em 12 estados do norte, códigos de blasfêmia e falhas sistêmicas no acesso à justiça civil.

“A violência contra cristãos e outras minorias religiosas continua desenfreada. […] Os testemunhos que recebemos pintam um quadro horripilante de medo, trauma, coerção e abandono. Vítimas e sobreviventes não podem ser deixadas sem proteção, justiça e reparações, incluindo reabilitação e apoio significativo”, disse uma das autoridades das Nações Unidas.

Perseguição a cristãos na Nigéria leva ONU a exigir medidas urgentes

Na declaração de segunda-feira (8), Giorgio Mazzoli, diretor de advocacia da ONU na organização de liberdade religiosa Aliança em Defesa da Liberdade International (ADF), disse que “Cristãos, particularmente mulheres e meninas, entre outras minorias religiosas, têm enfrentado atrocidades graves e sistemáticas nas mãos de grupos militantes armados operando com impunidade em partes da Nigéria.”

A ADF International foi uma das várias organizações de direitos humanos que pressionaram o Departamento de Estado dos EUA a redesignar a Nigéria como um “país de preocupação particular” no outono de 2025.

“Por tempo demais, a comunidade internacional permaneceu em grande parte silenciosa enquanto esta crise se aprofundava. A comunicação conjunta de cinco mecanismos da ONU é um passo significativo e bem-vindo para garantir que essas violações recebam atenção internacional e que suas causas fundamentais – incluindo estruturas legais discriminatórias – sejam plenamente abordadas”, continuou Mazzoli.

A declaração foi emitida por uma equipe de especialistas composta por relatores especiais da ONU e um grupo de trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários.

Os relatores especiais incluem Reem Alsalem, relatora especial sobre violência contra mulheres e meninas, Morris Tidball-Binz, relator especial sobre execuções extrajudiciais, sumárias ou arbitrárias, Nicolas Levrat, relator especial sobre questões de minorias e Alice Jill Edwards, relatora especial sobre tortura.

A equipe também é composta por Gabriella Citroni, Grażyna Baranowska, Aua Baldé, Ana Lorena Delgadillo Pérez e Mohamed Al Obaidi.

Os especialistas pediram para as autoridades nigerianas tomarem medidas urgentes para proteger populações em risco, garantir a libertação de pessoas sequestradas, conduzir investigações independentes, processar perpetradores e fornecer justiça, reparações e apoio às vítimas.

A ONU emitiu um alerta para que autoridades nigerianas tomassem providência sobre a perseguição religiosa no local. (Foto: Gracious Adebayo | Unsplash)

“A impunidade para esses crimes apenas alimenta mais violência”, alertaram. “As autoridades nigerianas devem agir urgentemente para prevenir danos irreparáveis adicionais e garantir responsabilização por todas as violações.”

Mulheres escondem a fé para sobreviver: ONU denuncia violência contra cristãos na Nigéria

Em comunicação formal enviada ao governo nigeriano, os especialistas da ONU citaram incidentes específicos, como:

  • o sequestro de meninas retiradas de uma igreja no estado de Borno;
  • a conversão forçada e o casamento de uma menina de 13 anos no estado de Bauchi;
  • ataque hediondo contra uma menina cristã de 16 anos, cuja mão foi supostamente decepada por militantes depois que sua família rejeitou uma proposta de casamento forçado.

Esses casos fazem parte de um “padrão mais amplo de violência” contra comunidades cristãs, “incluindo assassinatos, ataques a igrejas e vilarejos, deslocamento em massa, violência de multidões ligada a acusações de blasfêmia e grave insegurança que afeta mulheres e crianças em campos de deslocados internos”.

Mulheres e meninas em campos de deslocados enfrentam vulnerabilidade particular à exploração sexual. Algumas delas coagidas a atos sexuais em troca de comida ou ajuda. Muitas supostamente escondem sua identidade cristã ou usam hijabs para sobreviver.

“Se confirmadas, essas alegações podem equivaler a graves violações do direito internacional dos direitos humanos, incluindo violações dos direitos à vida, segurança, liberdade, proteção, liberdade de religião ou crença, liberdade contra tortura, desaparecimento forçado, escravidão e tráfico, e os direitos de mulheres e crianças”.

©2026 Catholic News Agency. Publicado com permissão. Original em inglês: UN experts warn of ‘deeply troubling’ rights violations against Christian women and girls in Nigeria https://www.ewtnnews.com/world/africa/un-experts-warn-of-deeply-troubling-rights-violations-against-christian-women-and-girls-in

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