O general e senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS) defendeu que o também general Augusto Heleno e o ex-presidente Jair Bolsonaro, de quem foi vice-presidente, cumpram pena em regime domiciliar. Em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo, ele ressaltou que a condição delicada de saúde dos dois justifica a concessão pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
“O general Heleno apresenta problemas de saúde há algum tempo, como qualquer pessoa que chegou aos 78 anos submetida às tensões normais da vida militar e depois às enfrentadas em outros momentos”, afirmou. “Óbvio que isso causa sequelas, e foi mostrado ao Alexandre de Moraes que seria necessária a prisão domiciliar dele, assim como a do Bolsonaro. É outro que, qualquer coisa…”
De acordo com Mourão, “Bolsonaro é aquele cara que anda no fio da navalha, pode morrer de um dia para o outro”.
Aliados do ex-presidente têm ressaltado sua saúde frágil há meses. Na última sexta-feira, 12, a defesa jurídica de Bolsonaro apresentou pedido para uma cirurgia e para reforçar o pedido de prisão domiciliar junto ao STF. O ministro do STF Alexandre de Moraes autorizou, neste sábado, 13, a realização de exames para comprovar a necessidade da cirurgia.

Defesa de Bolsonaro tem ressaltado condição frágil de saúde
Apesar de terem integrado a chapa vitoriosa em 2018, Mourão e Bolsonaro se distanciaram ao longo do mandato. O ex-vice relatou que a relação foi marcada por uma “guerra fria”, sem diálogo claro sobre conflitos.
Em 2021, Bolsonaro chegou a comparar a convivência com o vice à de um cunhado inevitável. “O Mourão faz o seu trabalho, tem uma independência muito grande”, disse à época. “Por vezes atrapalha um pouco a gente, mas o vice é igual cunhado, né. Você casa e tem que aturar o cunhado do teu lado, não pode mandar o cunhado embora.”
Em entrevistas recentes, Mourão comentou que não houve oportunidade para discutir divergências diretamente com Bolsonaro. Ele afirmou que um diálogo mais aberto teria evitado parte dos desentendimentos. Ainda em julho, Mourão declarou à Folha que, caso tivesse permanecido como vice na chapa de 2022, Bolsonaro teria chances maiores de reeleição.