Nesta terça-feira, 9, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que as reportagens da revista Veja que lançaram dúvidas sobre a delação do tenente-coronel Mauro Cid “não afetam absolutamente em nada” o acordo celebrado pelo militar, tampouco representam qualquer “prejuízo às defesas”.
A 1ª Turma do STF retomou hoje o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por suposta tentativa de golpe de Estado.
Em uma primeira notícia, a Veja revelou áudios nos quais Cid sugere ter sido coagido a firmar a colaboração premiada com a Polícia Federal. Em uma segunda reportagema, a revista mostrou que o militar criou um perfil no Instagram no qual se passava por sua mulher, a fim de se comunicar com terceiros. Por meio da página, o tenente-coronel revelou trechos de sua colaboração ao advogado Eduardo Kuntz. Além disso, durante sessão no STF, Cid mentiu ao afirmar desconhecer o perfil.
“A veracidade dessas alegações ainda está sendo objeto de investigação em inquérito”, disse o magistrado, em alusão à investigação aberta para apurar os prints vazados pelo advogado Eduardo Kuntz, nos quais Cid revela trechos de sua colaboração premiada. Na sequência, Moraes reafirmou a validade do acordo.
Moraes sugere má-fé de advogados que interpelaram delação de Mauro Cid

Ainda na sessão, Moraes sugeriu que advogados das defesas de réus podem estar agindo de má-fé em interpelações da colaboração.
“As defesas insistem, e eu diria que confundem, os oito primeiros depoimentos dados sucessivamente em 28 de agosto de 2023 com oito delações contraditórias”, disse Moraes. “Isso foi reiteradamente dito, aqui, como se fosse uma verdade. Com todo o respeito, mas beira a litigância de má-fé.”