O processo que envolve o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), gerou apreensão nos círculos políticos. Isso ocorreu em virtude da colaboração com a Polícia Federal (PF), segundo destacou a advogada Vânia Bittencourt, nesta sexta-feira, 12.
Ela enfatizou o impacto da delação ao afirmar que muitos ficaram apreensivos pela proximidade de Cid com o ex-presidente. A advogada ainda disse que o tenente-coronel terá nova chance de viver depois do julgamento.
Em entrevista à jornalista Basília Rodrigues, Vânia Bittencourt afirmou que a delação de Cid foi fundamental para a investigação que resultou na condenação de Bolsonaro por suposto plano para se manter no poder.
A condenação de Mauro Cid
Por 4 votos a 1, a 1ª Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou o ex-presidente a 27 anos e três meses de prisão. Cid, por sua vez, recebeu pena de dois anos em regime aberto por ter colaborado com as autoridades.
“Um delator que vai entregar aquele que era seu chefe e que, em tese, o Cid seria a pessoa mais próxima do ex-presidente, e o pavor que isso causou em muita gente”, disse a advogada. “Cid foi muito atacado.”
Vânia relatou ainda que a imagem do tenente-coronel foi profundamente prejudicada, com impactos na vida pessoal e familiar, que inclui ataques às filhas dele no colégio.
A defensora acredita que, com o avanço do processo judicial, a situação tende a melhorar para o militar. “Acho que a imagem dele vai se restabelecer a partir de agora”, disse. “Acabando o processo, vai começar a viver novamente. A imagem depois se recupera, o que importa é ter a liberdade de volta e consciência tranquila do que fez.”
Perspectivas jurídicas e profissionais
Apesar da condenação a dois anos em regime aberto, a defesa pretende solicitar à Justiça que esse período seja descontado do tempo já cumprido em detenção. Vânia também informou que pedirá a retirada da tornozeleira eletrônica e a devolução dos bens apreendidos, mesmo antes do trânsito em julgado da sentença.
Vânia explicou que Cid não perderá a patente de tenente-coronel, ao contrário de outros militares condenados pelo STF. Contudo, afirmou que ele não espera mais ser promovido a coronel, pois já solicitou passagem para a reserva. A advogada acrescentou que o militar ainda não definiu os próximos passos, mas tem discutido alternativas profissionais com a família.
Sobre o futuro, Vânia comentou: “Ele sempre foi primeiro em tudo o que faz e fez, qualquer profissão será muito bem”, disse. “Convivi dois anos muito próxima a ele, e posso afirmar que é uma pessoa extremamente inteligente e dedicada no que faz, terá sucesso em qualquer profissão.”
A pena de Cid foi determinada com base no acordo de colaboração premiada, que prevê restituição de bens, extensão de benefícios para familiares e proteção pela PF.