“Há 26 anos, dizíamos que a Venezuela não seria como Cuba”, disse María Corina Machado, líder da oposição ao regime do ditador Nicolás Maduro, em entrevista à edição desta segunda-feira, 1º, do programa Faroeste à Brasileira. “Veja como estamos hoje.”
Na década de 1950, a Venezuela era rica. Para ter uma ideia, o país tinha o 4º maior Produto Interno Bruto per capita do planeta, segundo informações do portal InfoMoney.
A riqueza abundante em razão da quantidade de petróleo tornou o país atraente para vários setores empresariais. Hoje, no entanto, milhares de venezuelanos tentam fugir da pobreza que cresce a cada dia.
María Corina vive escondida da ditadura
Escondida por medo de ser presa ou morta, María Corina ainda representa a força política da oposição venezuelana. A ex-deputada enfrenta o regime desde quando Hugo Chávez era ditador. Ao Faroeste à Brasileira, explicou como a Venezuela se tornou uma ditadura.
“Foi progressivo”, contou María Corina. “Foram tomando o controle pouco a pouco.”
A líder opositora explicou como a ditadura bolivariana tomou conta do Judiciário. Para controlar o país, o regime colocou juízes que fossem favoráveis a Maduro. Aqueles que não tomarem decisões de acordo com as ideias do regime, por exemplo, perdem o emprego.
“Depois de tomarem o controle do campo judicial, o regime tomou para si os meios de comunicação”, prossegue María Corina. “Passou a censurar jornalistas.”
Os veículos de imprensa tinham de fechar as portas caso não obedecessem às ordens do regime. “Os profissionais valentes que defendiam a verdade foram presos ou tiveram de deixar o país.”
O que ocorre na Venezuela deve servir de alerta a outros países
Depois, a ditadura confiscou mais de 5 mil empresas que davam lucros “e hoje são sucatas”. María Corina afirmou que o regime de Maduro precisa de uma sociedade dependente do Estado. Para a líder da oposição, “essa fraude deve servir de alerta para outros países que correm o risco de se tornar uma ditadura”.
A manipulação estatal faz as pessoas não perceberem que o país controla tudo o que é feito. Conforme María Corina, isso ocorreu na Venezuela. “Quando se perde a democracia e a liberdade, é muito difícil recuperá-las.”