A jornalista Maju Coutinho, de 48 anos, anunciou nesta sexta-feira, 28, que está grávida de seu primeiro filho. Ela comunicou a novidade por meio de um vídeo postado nas redes sociais.
Segundo a publicação, o bebê vai se chamar Malik. Ele é fruto do casamento da apresentadora com o artista visual Agostinho Paulo Moura.
“Mãe de primeira viagem e pai de terceira viagem embarcando no show da vida particular. Malik, filho desejado, lhe damos as boas vindas, boas vindas, boas vindas”, escreveu, no Instagram.
Maju Coutinho fez inseminação artificial?
A âncora do Fantástico não divulgou se recorreu à inseminação artificial ou a outro método de reprodução assistida para engravidar.
No entanto, ela já havia declarado anteriormente que passou pelo processo de congelamento de óvulos.
Em participação no programa Saia Justa, a apresentadora falou sobre o procedimento e comentou que o tema ainda encontra resistência. “Eu congelei óvulos. Mas a sociedade não está preparada”, disse.
Ainda no programa, Maju revelou conflitos entre a rotina profissional e as exigências do tratamento. “O remédio para congelar os óvulos você tem que tomar , que o seu ciclo diz… Não é o horário que o seu trabalho diz.”
“Às vezes você tem que tomar a injeção no trabalho. E ninguém sabe. E você pensa: ‘eu vou falar, o chefe vai pensar que eu vou querer engravidar. Agora que eu já estou ascendendo na carreira…’”, completou.
Na ocasião, ela também falou sobre a pressão pela maternidade e a importância de refletir sobre a decisão antes de engravidar. “O mais difícil é separar o que é genuinamente uma vontade e o que é pressão de uma cultura que diz que eu tenho que ser mãe“, afirmou.
A jornalista ainda citou Glória Maria como exemplo de mulher que escolheu o próprio tempo para ser mãe: “Ela foi mãe quando quis. E foi mãe e foi feliz.”
Por que é mais incomum engravidar após os 40 anos?
Não é coincidência que clínicas de reprodução assistida no Brasil relatem aumento na procura de pacientes acima dos 40 anos. Biologicamente, esse é o momento em que engravidar por conta própria fica cada vez mais difícil (mas não impossível).
Isso acontece porque, com o avançar da idade, a fertilidade da mulher cai, devido ao envelhecimento ovariano.
Diferentemente dos homens, que produzem espermatozoides por toda a vida, as mulheres já nascem com todos os óvulos que terão em sua vida. Segundo especialistas, esse número é de aproximadamente entre um e dois milhões. Ao chegar na puberdade, restam cerca de 300 a 500 mil.
E, ao longo da vida, esse estoque diminui continuamente. “Após os 35 anos, ocorre uma aceleração dessa perda, e, após os 40 anos, a queda torna-se ainda mais significativa”, explicou à VEJA SAÚDE a ginecologista Anne Pereira, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
Segundo a médica, uma mulher de 30 anos tem cerca de 20% de chance de engravidar espontaneamente em cada ciclo. Aos 40, essa probabilidade despenca para 5%. Depois dos 43, fica abaixo de 2% a 3%.
O relógio biológico não afeta só a quantidade de óvulos disponíveis, mas também sua qualidade. As mudanças que ocorrem naturalmente com o tempo aumentam as chances de alterações no número de cromossomos que o feto irá desenvolver, o que eleva o risco de aborto espontâneo e de síndromes genéticas, além de dificultar tanto a fertilização quanto o desenvolvimento do embrião.
Como funciona o congelamento de óvulos
Como relatado por Maju, o congelamento de óvulos começa com o uso medicamentos hormonais por cerca de 10 a 14 dias para estimular os ovários a produzir vários óvulos ao mesmo tempo.
Quando os folículos (estruturas onde os óvulos se desenvolvem) atingem o tamanho adequado, é aplicada uma medicação para completar a maturação das células reprodutivas.
Cerca de 34 a 36 horas depois, é feita a punção ovariana, procedimento realizado com sedação, no qual uma agulha fina é usada para retirá-los dos ovários.
No laboratório, os óvulos são congelados por meio da vitrificação, uma técnica de congelamento ultrarrápido que reduz os danos às células. A partir daí, permanecem armazenados em nitrogênio líquido até serem utilizados.
Embora Maju não tenha revelado ainda se fez esse procedimento, depois de congelar os óvulos, a mulher pode utilizá-los no futuro por meio da fertilização in vitro.
Quando decide engravidar, eles são descongelados e, em geral, fertilizados com a injeção de um espermatozoide diretamente dentro de cada um deles, no laboratório.
Assim, os embriões são cultivados na clínica de reprodução por alguns dias e, depois, um deles é transferido para o útero. Se houver implantação no endométrio, a gravidez começa.
A principal vantagem do procedimento é preservar a qualidade dos óvulos de acordo com a idade em que foram coletados.
Assim, uma mulher que congelou óvulos aos 30 anos e decide engravidar aos 40 pode usar células reprodutivas que mantêm as características biológicas da idade em que foram armazenadas.
Vale dizer, porém, que o congelamento não é garantia de gravidez. Nem todos os óvulos sobrevivem ao descongelamento, são fertilizados ou dão origem a embriões capazes de se implantar.
Também, preservar os óvulos não elimina os riscos da gestação relacionados à idade da mulher.
Quais são os riscos da gestação tardia?
Algumas complicações se tornam mais frequentes com o avanço da idade. Entre elas estão a hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia, condição caracterizada pela elevação da pressão arterial e que pode comprometer tanto a saúde da mãe quanto a do bebê.
Segundo Pereira, parte dessa associação está relacionada às transformações naturais que ocorrem nos vasos sanguíneos ao longo do envelhecimento, como uma maior rigidez das suas paredes.
Durante a gravidez, a placenta precisa promover uma espécie de “reforma” nas artérias da região do útero para aumentar o fluxo sanguíneo local e, consequentemente, o fornecimento adequado de oxigênio e nutrientes ao feto.
Quando essa adaptação não acontece da forma esperada, aumentam as chances de complicações como a hipertensão e pré-eclâmpsia, bem como restrição do crescimento fetal.
Outro desafio comum é a diabetes gestacional. Isso porque, com a idade, tende a ocorrer um aumento da resistência à insulina — hormônio responsável por controlar os níveis de açúcar no sangue.
Pereira lista, ainda, que os partos por cesariana também são mais frequentes após os 35. E eles costumam ser indicados devido a fatores como a maior presença de doenças crônicas, alterações placentárias, miomas e situações que podem levar ao sofrimento fetal durante o trabalho de parto.
Uma pesquisa publicada no ano passado no periódico Journal of Clinical Medicine, acompanhou mais de 350 mulheres com mais e menos de 40 anos para avaliar e comparar os desfechos maternos e fetais entre gestações de acordo com a idade.
Segundo o estudo, 14,8% das mulheres com mais de 40 anos apresentaram diabetes gestacional (contra 7,7% do outro grupo), 13% pré-eclâmpsia (contra 5,7%) e 18% hemorragia pós-parto (contra 10,5%).
Além disso, as mães mais velhas realizaram mais cesarianas: 73% contra 36,1% das mais novas.
Ainda assim, embora a pesquisa tenha apontado que existem mais riscos, os próprios estudiosos concluíram que, com bons cuidados pré-natais, resultados positivos são frequentemente alcançáveis.
Portanto, não necessariamente haverão problemas, apenas existe a necessidade de manejo específico para cada faixa etária e detecção precoce de riscos.
A gravidez após os 40 anos é preocupante?
Segundo Pereira, existem dois extremos equivocados quando o assunto é a gestação com idade materna avançada. O primeiro extremo seria a ideia de que depois dos 40 é impossível ou extremamente perigoso ter um bebê.
“Isso não é verdade. Milhares de mulheres têm gestações saudáveis após os 40 anos”, ressalta.
Por outro lado, ela diz que não é correto acreditar que a medicina já resolveu todos os problemas relacionados a esse tipo de gestação e não há com o que se preocupar.
“A medicina moderna diagnostica precocemente, monitora melhor e trata complicações com mais eficácia. Mas ela não rejuvenesce os óvulos nem elimina completamente os riscos biológicos do envelhecimento reprodutivo”, pondera.
Portanto, os riscos realmente existem, mas são conhecidos e podem ser acompanhados. Dessa forma, a maior parte das mulheres saudáveis de 40 a 45 anos terá uma evolução favorável quando bem assistida.
O acompanhamento médico regular é importante para avaliar riscos individuais e orientar cada etapa da gestação.
Como é o pré-natal depois dos 40?
Segundo Pereira, os passos iniciais incluem iniciar o pré-natal o quanto antes e fazê-lo de forma detalhada e atenciosa.
Entre as recomendações para esse processo, é muito importante avaliar doenças pré-existentes, como hipertensão, diabetes, problemas na tireoide e doenças autoimunes.
A mãe deverá realizar exames laboratoriais iniciais, revisar medicações em uso, bem como iniciar ou manter as suplementações que se façam necessárias.
Além disso, as famílias podem fazer testes como o ultrassom morfológico e Teste Pré-Natal Não Invasivo (NIPT, na sigla em inglês), que são capazes de detectar alterações cromossômicas nos fetos.
Durante a gestação, a principal recomendação é manter o controle do peso, da pressão arterial e dos níveis glicose, bem como realizar atividade física regular, avaliação do crescimento fetal e a vigilância da função placentária.