Ana Corina Sosa afirmou que tem consciência de que o retorno de sua mãe, María Corina Machado, à Venezuela envolve riscos à sua segurança. Em entrevista à agência EFE, concedida em Oslo, onde se reencontrou com a ativista depois de dois anos de separação forçada, Ana disse saber que a missão de sua mãe está no país e que ela não desistirá até vê-lo novamente livre.
“Eles precisam entender que o retorno dela nessas condições é um risco e que minha mãe vai correr perigo”, disse Ana. Segundo ela, apesar do temor, a família reconhece a dimensão do compromisso assumido por María. “Sei que a missão que ela carrega é maior do que nós neste momento e que ela faz isso pelo nosso futuro, para que possamos voltar a estar na Venezuela e, finalmente, em paz, em liberdade e unidos como família.”
Ana relatou que o reencontro foi difícil de descrever. “Foram dois anos em que não nos vimos pessoalmente, mas pareceram mais longos porque o país passou por tantas coisas e, sobretudo, porque minha mãe enfrentou riscos enormes e ameaças contra a vida todos os dias”, declarou.
Ao falar sobre a nova separação, diante da volta de María à Venezuela, Ana afirmou sentir um conflito pessoal. “Por um lado, não quero que ela vá, quero abraçá-la, escondê-la e que ela fique, viver uma vida normal como família”, afirmou. Ainda assim, destacou que a decisão da mãe é conhecida. “Sabemos que o coração, a missão e o objetivo dela estão na Venezuela. Ela foi muito clara ao dizer que vai voltar e que seu trabalho não terminou.”
Filha de Maria Corina representou a mãe em Oslo
Perguntada sobre a cerimônia do Prêmio Nobel da Paz, na qual representou a mãe, que não conseguiu chegar a tempo a Oslo, Ana disse que foi uma honra. “A situação que se vive na Venezuela não é um tema de direita ou de esquerda, mas de clareza moral, de dignidade, de defesa da democracia e dos princípios de liberdade”, afirmou, ao citar o discurso do presidente do Comitê Nobel, Jørgen Watne Frydnes. Segundo ela, “esse discurso foi uma injeção de força” e demonstrou reconhecimento internacional da causa venezuelana.
Por fim, Ana deixou uma mensagem aos venezuelanos. “A liberdade é algo pelo qual se luta todos os dias”, declarou. “Se algo aprendemos com nossos pais é que ela não pode ser tomada como garantida. Tomara que a luta que estamos travando na Venezuela seja um exemplo para o mundo.”