Em meio à intensificação da presença militar dos Estados Unidos no Caribe desde agosto, o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, recorreu à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para barrar o que classificou como uma ofensiva norte-americana na região.
O regime venezuelano formalizou o pedido de ajuda por meio de uma carta de Maduro, lida neste domingo, 30, pela vice-presidente Delcy Rodríguez durante uma reunião virtual do comitê ministerial da Opep.
Maduro argumenta que as manobras dos Estados Unidos, que incluem o envio de navios, caças, milhares de soldados e o maior porta-aviões do mundo, não visam combater o tráfico de drogas, mas sim desestabilizar sua administração.
Segundo o ditador, Washington busca retirar seu governo do poder e assumir o controle das reservas de petróleo do país.
Maduro alega risco à estabilidade da produção venezuelana
Maduro destacou que as operações militares colocam em risco a estabilidade da produção venezuelana e do mercado global de energia.
“Espero contar com os seus melhores esforços para contribuir para deter esta agressão que acontece com cada vez mais força e ameaça seriamente os equilíbrios do mercado energético internacional”, disse Maduro.
A Venezuela, que integra a Opep desde sua fundação em 1960 e possui as maiores reservas comprovadas de petróleo, enfrenta dificuldades para exportar devido a sanções e falhas de infraestrutura.
Neste sábado 29, o presidente dos EUA, Donald Trump, alertou que o espaço aéreo venezuelano está “fechado em sua totalidade”.
Repercussão internacional
Na semana anterior, autoridades norte-americanas emitiram um alerta em razão do aumento das atividades militares na área, levando seis companhias aéreas a suspender voos de e para a Venezuela.
Neste domingo, 30, a agência russa Pegas Touristik também interrompeu viagens para a ilha de Nueva Esparta, atendendo ao alerta dos EUA.
Desde 2021, a ilha tem recebido milhares de turistas russos, impulsionando sua economia.
Apesar das restrições, a Venezuela mantém duas rotas para a Rússia, operadas pela estatal Conviasa.
O Instituto Nacional de Aeronáutica Civil (Inac) revogou as licenças de seis companhias: Iberia, TAP, Avianca, a filial colombiana da Latam, GOL e Turkish Airlines.
A ditadura venezuelana acusa as empresas de aderirem “às ações de terrorismo de Estado promovidas pelo governo dos Estados Unidos”.