O Parlamento de Madagascar votou, nesta terça-feira, 14, pela destituição do presidente Andry Rajoelina. A decisão ocorreu depois que o líder, sob forte pressão política, editou um decreto que dissolvia a Casa.
Na ocasião, em discurso transmitido de local não identificado, Rajoelina disse que a dissolução do Parlamento “era necessária para restaurar a ordem” e prometeu convocar novas eleições a partir de dezembro. “O povo precisa ser ouvido novamente”, declarou. “É hora da juventude.”
Ao ignorar o decreto e aprovar o impeachment, porém, o Parlamento aprofundou a crise constitucional em Madagascar. Há uma semana, o país passa por protestos liderados pela chamada geração Z.
Poucos minutos depois da medida, militares dissidentes anunciaram que assumiram o controle do país. “Tomamos o poder”, afirmou o coronel Michael Randrianirina, do Exército, em pronunciamento na rádio nacional.
Presidente de Madagascar fugiu
Segundo o líder da oposição Siteny Randrianasoloniaiko, o presidente deixou o país depois que parte do Exército se uniu aos protestos. “Ligamos para a equipe da Presidência, e eles confirmaram que ele deixou o país”, afirmou à agência Reuters.
Ainda segundo a agência, uma fonte militar informou que Rajoelina embarcou em um avião militar francês. A rádio RFI noticiou que ele teria firmado um acordo com o presidente da França, Emmanuel Macron.
As manifestações em Madagascar começaram pela falta de fornecimento regular de água e energia e cresceram para incluir críticas à gestão de Rajoelina. Nos últimos dias, forças de segurança se voltaram contra o governo e aderiram aos protestos.