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Lula pede apuração de supostos vazamentos no caso Lulinha

O presidente Lula pediu ao advogado Marco Aurélio de Carvalho que apurasse supostos vazamentos da Polícia Federal considerados “seletivos” pela defesa de Lulinha. O pedido foi discutido durante uma reunião na noite de quarta-feira (19), no Palácio da Alvorada, em Brasília.

Segundo Carvalho, o assunto foi tratado ao final do encontro. O advogado perguntou ao presidente se ele já havia solicitado a investigação dos vazamentos. Lula respondeu: “Então, está ótimo”.

Carvalho afirmou que nem ele nem o presidente pretendem colocar Lulinha acima da lei. Ao mesmo tempo, disse considerar inadequado que o filho do presidente seja tratado “como se estivesse abaixo dela”.

“Eu estou incomodado. Eu estou vendo um paralelismo”, disse o advogado, ao comparar o caso com o que classificou como o pior momento da Operação Lava Jato.

Lula diz que não pretende interferir na PF

Diante das reclamações, Lula afirmou, segundo relatos, que não pretende utilizar a Polícia Federal para proteger aliados ou perseguir adversários.

A orientação do presidente, de acordo com Carvalho, foi: “quem fez cagada, que se explique; quem não fez, que se explique também, e seja absolvido”.

O advogado descreveu o encontro como tranquilo e disse que Lula estava “absolutamente sereno”. A maior parte da conversa, segundo Carvalho, tratou da campanha eleitoral em São Paulo.

O ex-ministro Fernando Haddad, candidato do PT ao governo paulista, também participou da reunião. Carvalho coordena a campanha de Lula no Estado e integra o grupo Prerrogativas.

Investigação envolve proposta de R$ 626 milhões

A conversa ocorreu no mesmo dia em que surgiram novos detalhes sobre uma minuta de contrato enviada pela lobista Roberta Luchsinger a Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete de Lula.

O documento, obtido pelo jornal O Globo, previa a venda de 1,2 milhão de frascos de canabidiol ao Ministério da Saúde, em uma operação estimada em R$ 626 milhões. A proposta envolveria 36 tipos de medicamentos e, segundo a reportagem, seria negociada sem licitação.

A Polícia Federal encontrou a minuta nos celulares de Luchsinger e do empresário Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Antunes é investigado sob suspeita de envolvimento em desvios de recursos do instituto.

Os investigadores suspeitam que Luchsinger, que “aparentemente” atuava em nome de Lulinha, tenha sido contratada para viabilizar o negócio com auxílio do filho do presidente.

O Ministério da Saúde afirmou que não houve possibilidade de compra de canabidiol pela pasta porque o produto não é incorporado ao SUS. Segundo o ministério, não há compra, fornecimento ou contrato relacionado ao medicamento.

A pasta também declarou que “nunca existiu, por parte desta gestão, nenhuma discussão para a sua oferta na rede pública de saúde”.

O Ministério da Saúde não respondeu especificamente sobre eventuais reuniões de Luchsinger com integrantes da pasta nem sobre a participação de Marcola ou de integrantes do Palácio do Planalto nas tratativas.

Defesa classifica negócio como “crime impossível”

Carvalho afirmou que a negociação não teria condições jurídicas de avançar.

“É crime impossível. Eles querem vender e o governo pode comprar, mas é a mesma coisa que dizer que vou matar alguém com uma pistola d’água”, declarou.

Sobre o pedido da Procuradoria-Geral da República para retirar o caso do Supremo Tribunal Federal, o advogado afirmou que o inquérito “não tem nada a ver com o INSS” e, por isso, não haveria motivo para a permanência do processo na Corte.

Carvalho também disse que Lula não mencionou Marcola durante a reunião. Segundo ele, a conversa ficou concentrada na investigação envolvendo Lulinha.

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